Política

Moraes lembra discurso de Bolsonaro sobre eleições: "Só saio preso, morto ou com vitória"

Ex-presidente disse em 2021 que jamais aceitaria uma derrota democrática nas urnas

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Gabriela Vieira
09/09/2025, 15:40 • Atualizado em 09/09/2025, 15:40
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Bolsonaro e Moraes | Antônio Augusto/Secom/TSE

Bolsonaro e Moraes | Antônio Augusto/Secom/TSE

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, disse nesta terça-feira (9) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou claro que não aceitaria derrota nas urnas.

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"O líder do grupo criminoso deixa claro aqui, em viva voz, de forma pública para toda a sociedade, que jamais aceitaria uma derrota democrática nas eleições, que jamais aceitaria ou cumpriria a vontade popular", disse o ministro durante voto no julgamento do ex-presidente e outros sete réus por tentativa de golpe.

Segundo o ministro, Bolsonaro teria dito em uma live em 2021, que "só sairia preso, morto ou com vitória". E, ainda, que não participaria "dessa farsa patrocinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)".

Discurso 7 de Setembro

Moraes também apontou discursos no 7 de Setembro de 2021 como "uma forte tentativa com emprego de grave ameaça de restringir o poder Judiciário". Na ocasião o ex-presidente atacou ministros do STF publicamente.

Em resposta, o ministro disse que o discurso de Bolsonaro apresentou uma clara ameaça contra a corte. “Isso não é conversa de bar, é o presidente da República instigando milhares de pessoas contra o sistema eleitoral, contra o STF e contra ministros desta Corte”, acrescentou.

O ministro afirmou que "recentemente, frases semelhantes foram ditas, agora tentando nova interferência internacional na independência do Poder Judiciário. No 7 de Setembro deste ano, em ato bolsonarista em São Paulo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chamou Moraes de "tirano".

Ditadura

Em outro momento, Bolsonaro disse que um "ministro do Supremo que ousa continuar fazendo aquilo que nós não admitimos". Moraes respondeu: "Só nas ditaduras juízes ou ministros fazem o que o ditador determina. E nem em ditaduras todos os juízes ou ministros fazem".

O ministro voltou a falar sobre ditadura dizendo que "estamos esquecendo aos poucos que o Brasil quase volta a uma ditadura que durou 20 anos pq uma organização criminosa constituída por um grupo político não sabe perder eleições".

Ao citar o plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Moraes defendeu que o Brasil demorou para atingir sua democracia.

"Nós tivemos 20 anos de ditadura tortura, desrespeito à independência do poder Judiciário e legislativo. As pessoas sumiam, eram mortas. Não é possível banalizar o retorno a estes omentos escuros. E a prova é farta", exemplificou.

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