Ministro de Minas e Energia diz que futuras guerras serão por minerais críticos e defende debate sobre defesa nacional
Alexandre Silveira afirma que disputas hoje ocorrem pelo petróleo, mas no futuro serão pelos minerais da transição energética


Victoria Abel
Warley Júnior
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira (11) que os conflitos do futuro podem ocorrer em torno da disputa por minerais críticos e que o Brasil precisa se preparar para proteger suas riquezas naturais e sua soberania. A declaração foi feita durante participação do ministro em uma comissão da Câmara dos Deputados.
Ao comentar a escalada do conflito no Oriente Médio, Silveira criticou os impactos das disputas geopolíticas e afirmou que as guerras atuais estão relacionadas principalmente à disputa por fontes de energia.
“A guerra para mim é uma insanidade humana. Gasta-se tanto com uma disputa pelas energias. Todas as guerras do mundo hoje se dão pela disputa pelo petróleo. Vão se dar no futuro pela disputa dos minerais críticos, dos minerais para a transição energética”, afirmou.
Segundo o ministro, países com grande disponibilidade de recursos naturais, como o Brasil, precisam discutir formas de proteger essas riquezas.
“Países com a riqueza que o Brasil tem precisam se preocupar com isso. O Brasil tem que avançar na questão energética, mas tem que ter coragem de discutir democraticamente o nosso fortalecimento da defesa nacional. Um país que tem as riquezas que tem não pode colocar em risco a nossa soberania”, disse.
Silveira também comentou o atual cenário internacional e classificou como preocupante a nova dinâmica geopolítica.
“Nós estamos vendo essa nova crise e essa triste ordem geopolítica que vivemos, com ataques à soberania de países. Os ataques feitos ao Oriente Médio mostram esse ciclo de instabilidade”, afirmou.
O conflito na região, que já dura 12 dias após um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, tem provocado forte impacto no mercado internacional de petróleo.
Nesta semana, após a escalada das tensões, o preço do barril voltou a superar a marca de US$ 100, nível que não era registrado há cerca de quatro anos. A alta acendeu alertas sobre possíveis efeitos na economia global e no preço dos combustíveis.
Posteriormente, no entanto, os preços do petróleo recuaram mais de 11%, a maior queda percentual em uma sessão desde 2022, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevendo um fim rápido para o conflito com o Irã, que vinha afetando os fluxos globais da commodity.








