Mauro Vieira: tarifas foram apresentadas antes do combinado
Chanceler brasileiro diz que Washington antecipou relatórios e mantém diálogo sobre taxação

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4) que os relatórios dos Estados Unidos que podem levar a novas tarifas contra produtos brasileiros foram apresentados antes do prazo combinado para o início das negociações entre os dois países.
A declaração foi feita após um encontro rápido com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, em Paris, às margens da sessão ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Segundo Vieira, as conclusões das duas investigações sob a Seção 301 saíram antes do período acertado na reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, em maio. “Tinham sido apresentadas antes do prazo estabelecido na reunião dos presidentes em Washington, que seria de 30 dias para começarmos, então, a negociar”, disse o chanceler.
Vieira relatou que Greer se aproximou antes da abertura da sessão ministerial e afirmou que os Estados Unidos vinham tendo “ótimas conversas com o Brasil”. O ministro disse ter respondido que o governo brasileiro tem interesse em manter o diálogo, especialmente depois da divulgação dos relatórios.
O chanceler afirmou que o representante americano demonstrou disposição para continuar as tratativas. “Ele disse que estava pronto a continuar essas conversas, e que sempre o diálogo tinha sido muito bom. Eu falei: ‘Pois é, que ótimo. Então, vamos continuar assim conversando e acertando. Vamos negociar’”, relatou.

A fala ocorre em meio à ameaça de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Na segunda-feira (2), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicou a intenção de aplicar uma tarifa de 25% sobre importações do Brasil, no âmbito da investigação da Seção 301.
No dia seguinte, o governo americano propôs uma sobretaxa adicional de 12,5% contra produtos de 59 países, incluindo o Brasil, sob alegação de falhas no combate a mercadorias produzidas com trabalho forçado. Com a soma das duas medidas, a ameaça de tarifaço contra o Brasil pode chegar a 37,5%.
Vieira afirmou que o Brasil respondeu a mais de 80 perguntas durante as consultas da Seção 301, com uma equipe formada por representantes de diferentes ministérios. Segundo o chanceler, o governo brasileiro apresentou todas as informações necessárias para demonstrar que não há justificativa para a imposição de tarifas.
O ministro também contestou o argumento de que haveria necessidade de proteger o comércio americano em relação ao Brasil. Ele afirmou que o Brasil não tem superávit com os Estados Unidos e disse que o déficit brasileiro acumulado nos últimos 15 anos chega a US$ 450 bilhões.
“Todos os argumentos apresentados, nós provamos que não são legítimos”, declarou Vieira. O chanceler disse esperar que as explicações sejam levadas em conta e levadas ao presidente Donald Trump “em breve”.
Questionado sobre a possibilidade de Lula tratar do tema com Trump durante a reunião de cúpula do G7, Vieira afirmou que não há encontro marcado. O ministro disse, no entanto, que os líderes poderão conversar caso haja ocasião durante os dois dias de reuniões.













