Lula se irrita com postura de Toffoli e diz a aliados que ministro expôs Supremo
Em reuniões reservadas, presidente se queixou de resistência do magistrado para abandonar a relatoria do caso Master


Eduardo Gayer
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) externou a auxiliares irritação com a resistência do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para deixar a relatoria do caso Master - o que só foi decidido nesta noite após horas de reunião entre os integrantes da Corte. De acordo com relatos, Lula avalia que o magistrado expôs a imagem de todo o Supremo a um grande desgaste público, quando poderia ter abdicado do processo muito antes de a crise escalar.
A permanência de Toffoli à frente do caso Master ficou insustentável após a Polícia Federal encontrar menções a ele em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro. Antes de o STF confirmar a troca na relatoria, Lula chegou a dizer a interlocutores que, diante da relutância de Toffoli, ele deveria deixar a Corte.
Dentro do Palácio do Planalto, o clima é de perplexidade com a conduta do magistrado nessa crise. Mais cedo, Toffoli confirmou em nota que é sócio dos irmãos na Maridt Participações, empresa que vendeu cotas do resort Tayayá para um fundo ligado a Vorcaro e que está há semanas no noticiário. O magistrado, porém, só assumiu sua participação acionária na companhia nesta quinta-feira.
As referências a Toffoli em diálogos de Vorcaro constam de um relatório detalhado entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin. O documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Foi o próprio presidente quem indicou ao STF, em 2009, seu então advogado-geral da União. Os dois, no entanto, mantêm uma relação tensa desde que Toffoli negou o pedido de Lula para ir ao velório do irmão Vavá. À época, o petista estava preso em Curitiba após condenação na Operação Lava Jato. O processo foi anulado posteriormente.








