Política

Lula sanciona PL Antifacção com vetos sobre punições e divisão de recursos

Trechos barrados permitiam punir pessoas sem vínculo com facções criminosas, como integrantes de movimentos sociais, e dividir bens apreendidos

Avatar de Hariane Bittencourt
Avatar de Jessica Cardoso
Hariane Bittencourt, Jessica Cardoso
24/03/2026, 20:35 • Atualizado em 25/03/2026, 04:52
compartilhar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (24) o PL Antifacção, mas vetou dois pontos do texto aprovado pelo Congresso. As decisões atingem diretamente quem pode ser punido pela nova lei e como serão distribuídos recursos apreendidos do crime organizado.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O primeiro veto trata de quem pode ser enquadrado na legislação. O texto aprovado permitia punir pessoas mesmo sem comprovação de ligação com organizações criminosas.

O governo considerou essa possibilidade inconstitucional, por ampliar o alcance da lei além do previsto. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, o trecho poderia, por exemplo, criminalizar integrantes de movimentos sociais.

O segundo veto envolve dinheiro e bens apreendidos de organizações criminosas.

O Congresso havia incluído um trecho que permitia dividir esses recursos com estados e o Distrito Federal. O governo barrou a proposta por entender que ela reduziria a arrecadação da União e criaria problemas legais.

Os vetos ainda podem ser derrubados pelo Congresso Nacional. Nos próximos dias, o governo deve publicar um decreto para regulamentar a aplicação da nova lei.

Outros pontos do texto, alvos de debate durante a tramitação, foram mantidos. Um deles foi a proibição do direito ao voto para presos provisórios e condenados ligados a organizações criminosas.

Também foi preservado o dispositivo que exclui o pagamento do auxílio-reclusão a dependentes de presos enquadrados na nova lei. Esse item, inclusive, foi destacado por Lula durante a cerimônia de sanção.

“O cidadão que quiser cometer seus crimes, ele saiba que seus filhos e sua esposa irão pagar pela irresponsabilidade dele. Eu acho que foi uma medida muito relevante. Ele tem que sentir que não está causando mal apenas a sociedade, mas a sua família", disse o presidente.

Durante o discurso, Lula também falou sobre a importância da cooperação internacional no combate ao crime organizado e afirmou que o Brasil está disposto a compartilhar sua estrutura de segurança e inteligência com outros países.

“Nós queremos colocar à disposição de quem quer que seja no mundo que queira levar a sério o combate ao crime organizado e o combate ao narcotráfico. Nós estamos dispostos”, afirmou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também participou do evento no Palácio do Planalto. Na ocasião, elogiou o texto e afirmou que a lei sancionada nesta terça (24) é fruto de um trabalho de diálogo entre Executivo e Legislativo.

“Estamos, hoje, dando talvez a resposta mais dura da história recente do Brasil no enfrentamento ao crime organizado. Seguimos prontos para colaborar com debate e construir as soluções que o Brasil precisa, principalmente na área da segurança pública”, declarou.

Também estiveram presentes o ministro da Justiça, Wellington César, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi convidado para a cerimônia, mas não compareceu.

PL Antifacção

O projeto foi apresentado pelo governo Lula em outubro de 2025 e, desde então, passou por disputas políticas no Congresso.

Na Câmara, o relator foi o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), escolhido por Motta. Para assumir a função, Derrite deixou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e retornou ao mandato parlamentar para conduzir a proposta.

Em novembro de 2025, a Câmara aprovou a sexta versão do texto apresentada pelo relator, após rejeitar tentativas de governistas de retirar o projeto de pauta, adiar a votação ou retomar a versão original enviada pelo Executivo.

No Senado, sob relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o projeto sofreu alterações e, por isso, precisou retornar à Câmara.

A versão final foi aprovada em 24 de fevereiro, após Derrite apresentar um novo parecer que incorporou parte das mudanças feitas pelos senadores e sugestões consideradas essenciais pelo governo.

Lula sancionou a proposta no último dia do prazo, mantendo a maior parte do texto.

Segundo o Palácio do Planalto, a lei "fortalece a capacidade do Estado de atuar contra o crime organizado" ao estabelecer penas mais severas para lideranças, com reclusão de 20 a 40 anos, e criar mecanismos de asfixia financeira, logística e material das organizações.

O texto prevê punições para atos praticados por organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias que, mediante violência ou grave ameaça, atentem contra a paz, a segurança da coletividade ou o funcionamento de instituições.

Pela legislação, facção criminosa é toda organização criminosa ou grupo de três ou mais pessoas que empregue violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios, intimidar populações ou autoridades.

Entre outras mudanças, o texto sancionado prevê que a audiência de custódia possa ser feita por videoconferência e institui o Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas, voltado à consolidação e ao compartilhamento de informações sobre pessoas e estruturas vinculadas a essas organizações.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Proposta de venda de armas nos EUA pode beneficiar Trump Jr.

Proposta de venda de armas nos EUA pode beneficiar Trump Jr.

Imagem da notícia: Professora não quer voltar à sala após caso de vidro na água

Professora não quer voltar à sala após caso de vidro na água

Imagem da notícia: 1 em 4 jovens não conclui o Ensino Médio no Brasil

1 em 4 jovens não conclui o Ensino Médio no Brasil

Imagem da notícia: Produção industrial recua em maio após quatro altas

Produção industrial recua em maio após quatro altas

Imagem da notícia: Proposta de venda de armas nos EUA pode beneficiar Trump Jr.

Proposta de venda de armas nos EUA pode beneficiar Trump Jr.

Imagem da notícia: Professora não quer voltar à sala após caso de vidro na água

Professora não quer voltar à sala após caso de vidro na água

Imagem da notícia: 1 em 4 jovens não conclui o Ensino Médio no Brasil

1 em 4 jovens não conclui o Ensino Médio no Brasil

Imagem da notícia: Produção industrial recua em maio após quatro altas

Produção industrial recua em maio após quatro altas

Últimas notícias

PF faz operação contra irregularidades em emendas Pix

Polícia Federal cumpre 41 mandados de busca e apreensão; ordens judiciais foram expedidas pelo STF após auditorias da CGU

Onda de calor já deixa 3.700 mortos em países da Europa

França, Bélgica e Holanda ainda atualizam os balanços, e o número de vítimas pode aumentar

Polícia mira roubos de celulares por meio de anúncios online

Suspeitos criavam perfis falsos, utilizando identidades masculinas e femininas, para ganhar confiança de vítimas e marcar encontros em locais públicos

Após ação da PM, Cidade de Deus tem barricadas e fogo

Criminosos incendiaram barricadas e sequestraram dois coletivos durante ação da PM; dez linhas de ônibus tiveram itinerários alterados

SP: operação prende 174 suspeitos de violência contra mulher

Mobilização cumpriu mandados judiciais em todo o estado e registrou 689 pedidos de medidas protetivas

Férias: só 21% dos jovens praticam atividades fora das telas

Especialista reforça importância da supervisão familiar e do diálogo sobre os riscos do ambiente digital