Lula pede que centrais sindicais ajudem a eleger maioria no Congresso alinhada aos trabalhadores
Presidente criticou falta de representação da classe e defendeu maior participação política nas eleições


Jessica Cardoso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta quarta-feira (15) que as centrais sindicais passem a atuar para eleger mais parlamentares comprometidos com pautas trabalhistas na Câmara e no Senado nas eleições deste ano.
Durante encontro no Palácio do Planalto, Lula afirmou que é necessário ampliar a representação política da classe trabalhadora para avançar em direitos.
“É importante que vocês comecem a pensar como é que a gente faz para ter um Senado e uma Câmara de uma maioria comprometida com os direitos da maioria do povo brasileiro, com o direito à defesa, à cidadania, a uma regulação que permita às pessoas viverem como cidadãs”, disse.
O presidente também criticou o que considera uma contradição no comportamento eleitoral dos trabalhadores. Segundo ele, apesar da mobilização ao longo do ano, a classe acaba não se organizando politicamente nas eleições.
“Se eu perguntasse para cada categoria aqui quantos deputados você vai eleger nessas eleições? A maioria não tem nenhum candidato. [...] A gente aprendeu a passar o ano inteiro na porta da fábrica xingando o patrão, mas quando chegamos na eleição, a gente vota no patrão, porque só ele é candidato. Nós não somos. [...] Então, temos que mudar também o nosso comportamento”, afirmou.
Lula também defendeu que trabalhadores disputem diretamente cargos eletivos como forma de fortalecer sua presença nas decisões políticas. “É preciso que a classe trabalhadora aprenda que ela precisa fazer parte dos parlamentos. Ela precisa eleger os vereadores, os deputados, senão tudo será muito mais difícil e complicado”, declarou.
O presidente se reuniu com líderes sindicais um dia após o envio ao Congresso do projeto de lei que trata do fim da escala 6x1. Na ocasião, Lula usou um boné com a mensagem sobre o tema, presenteado por lideranças sindicais, e recebeu uma pauta com 68 reivindicações definidas pela Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora).
Entre os principais pontos estão a redução da jornada sem diminuição de salário, o fortalecimento da negociação coletiva e a regulamentação do trabalho por aplicativos. O documento também inclui propostas para combater a pejotização.
Ao comentar o tema, Lula defendeu o diálogo institucional e sugeriu que as centrais procurem o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que relata processo sobre o tema.
“[...] a pejotização não ajuda apenas o trabalhador, [ela] não ajuda o país, o Fundo de Garantia, a Previdência Social, a política de educação, a política de saneamento, [...] Então, a quem interessa a pejotização? E tudo isso é necessário conversar. Não precisa brigar. É tentar conversar”, afirmou.









