Lula: Justiça acertou com Couto e evitou miliciano no Rio
Presidente também afirmou que governo federal dará apoio ao estado no combate ao crime organizado e às milícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (23) que a Justiça tomou a decisão “correta” ao colocar o desembargador Ricardo Couto no comando interino do Rio de Janeiro.
Segundo o presidente, uma eventual escolha pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para o mandato tampão no estado manteria o mesmo grupo político no poder.
“Se a Assembleia tivesse que indicar, ia vir um miliciano”, declarou.
Lula deu as declarações durante cerimônia na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, na Zona Norte da capital fluminense. Na ocasião, ele também defendeu que o governador em exercício deve priorizar o enfrentamento às milícias e ao crime organizado no estado.
“Ninguém aqui está esperando que você faça um viaduto, uma ponte, uma praia artificial. Sabe o que essas pessoas esperam de você nesses meses? Trabalhe para prender todos os ladrões que governaram esse estado e deputados que fazem parte de uma milícia organizada. [...] Aproveite esses seis meses que você tem ou dez meses. Faça o que muita gente não fez em dez anos nesse estado. Ajude a consertar esse estado”, afirmou.
O presidente prometeu ainda apoio ao estado no enfrentamento ao crime organizado.
“Qualquer coisa que você precisar do governo federal para combater o crime organizado, os milicianos, conte com o governo federal que nós seremos parceiros disso”, afirmou.
Entenda o atual governo do RJ
Ricardo Couto é desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Ele assumiu interinamente o governo do estado em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL).
Castro deixou o cargo sob a justificativa de disputar o Senado e antes da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível por 8 anos por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A chegada de Couto ao Palácio Guanabara ocorreu porque toda a linha sucessória do estado ficou vaga. O cargo de vice-governador já estava desocupado desde que Thiago Pampolha renunciou para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Já então o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, que seria o próximo na sucessão, ficou impedido de assumir após decisões judiciais que resultaram em seu afastamento e na cassação de seu mandato.
O modelo de escolha do governador que concluirá o mandato-tampão para o Rio de Janeiro ainda está sendo definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os ministros discutem se a eleição deve ser direta, com votação da população, ou indireta, realizada pela Alerj. Antes da suspensão do julgamento por um pedido de vista de Flávio Dino, a Corte chegou a 4 votos a 1 a favor da eleição indireta.
Enquanto o caso não é concluído no STF, uma decisão do ministro Cristiano Zanin manteve Ricardo Couto temporariamente no comando do governo fluminense.
À frente do Palácio Guanabara, Couto tem adotado medidas voltadas para reorganização administrativa e ajuste fiscal.
A gestão interina promoveu o desligamento de centenas de servidores comissionados com o objetivo de reduzir gastos, revisar a estrutura da máquina pública e auditar a folha de pagamento do estado para identificar possíveis irregularidades e funcionários sem atuação efetiva, conhecidos como “fantasmas”.















