Política

Lula endurece discurso contra Trump para transformar política externa em trunfo eleitoral

Um dos eixos da estratégia do PT consiste na defesa da soberania para conter avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas

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Presidente Lula (PT) em evento na Alemanha | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
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A recente subida de tom do presidente Lula (PT) nas críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante viagem à Europa, integra a estratégia da pré-campanha petista para as eleições deste ano.

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Para aliados do petista, o presidente buscará enfatizar uma abordagem racional, ancorada na defesa da soberania e na comparação entre projetos de país.

O movimento faz parte de uma tentativa de reverter os resultados negativos das pesquisas mais recentes e conter o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nos bastidores, a leitura é que a estratégia busca reposicionar a disputa eleitoral em dois eixos: a comparação com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, e a inserção do pleito brasileiro no cenário geopolítico.

A ideia é apresentar ao eleitor o que seria uma escolha entre soberania e submissão a interesses estrangeiros.

Aliados de Lula avaliam que, ao criticar Trump, o presidente reforça a imagem de um Brasil independente, que não aceita se curvar diante de outras potências.

Ao mesmo tempo, a estratégia mira Flávio diretamente, ao associar o bolsonarismo a um alinhamento automático com os Estados Unidos.

A mudança de tom também ocorre em um contexto de distanciamento diplomático. Um encontro entre Lula e Trump chegou a ser cogitado pelo Palácio do Planalto e Casa Branca para março, mas não avançou. Diante disso, integrantes do governo consideram que há espaço para explorar politicamente o contraste entre os dois líderes.

Trump na mira

Durante compromissos na Espanha, Alemanha e Portugal, Lula fez uma série de declarações críticas a Trump, explorando um dos principais motes do PT para o pleito de outubro: a defesa da soberania nacional.

Em tom irônico, afirmou que Trump deveria receber o Prêmio Nobel da Paz "para não ter mais guerra", em referência às declarações do americano sobre conflitos internacionais.

O presidente brasileiro também endureceu o discurso ao tratar de decisões da Casa Branca. Após a expulsão de um delegado da Polícia Federal (PF) dos Estados Unidos, Lula classificou a medida como "ingerência" e "abuso de autoridade", e indicou que o Brasil adotaria o princípio da reciprocidade, o que se confirmou.

As críticas se estenderam a outros temas da política externa americana. "Não podemos levantar todo dia de manhã e ir dormir todo dia à noite com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra", afirmou em Barcelona.

Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula questionou posições de Trump sobre conflitos internacionais e criticou a tentativa dos EUA de barrar a participação do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, no G20.

"Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse", pontuou Lula.

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