Política

Lideranças governistas reagem à transferência de Bolsonaro para a Papudinha

Determinação é do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal; local fica em área reservada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, no DF

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Jair Bolsonaro (PL) | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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Lideranças governistas reagiram à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que transferiu o ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência Regional da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. O local, uma área reservada, fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.

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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), compartilhou no X (antigo Twitter) um vídeo de abril de 2017, em que Bolsonaro, ainda deputado federal, aparece ironizando a prisão de políticos envolvidos na operação Lava Jato. "A Papuda lhe espera. Boa estadia lá, valeu? Um forte abraço", afirma Bolsonaro no vídeo, em tom irônico. A publicação vem acompanhada da legenda: "Aqui se faz, aqui se paga."

O deputado federal Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara dos Deputados, também se pronunciou nas redes sociais. Por meio de vídeo publicado no X, ele disse que Moraes "acerta" com a decisão, porque "quem é chefe de organização criminosa armada tem que estar em presídio de segurança máxima".

Investigação da Polícia Federal (PF) que levou à descoberta do chamado "Punhal Verde e Amarelo", plano de golpe de Estado articulado por Bolsonaro e aliados, apontou que o ex-presidente foi "líder" de uma “organização criminosa". O objetivo do plano, que teve início em julho de 2021 e fim em janeiro de 2023, era desestabilizar as instituições e consumar um golpe de Estado.

"Ministro Alexandre Moraes acerta, porque na lei de organizações criminosas quem é chefe de organização criminosa armada tem que estar em presídio de segurança máxima", disse Farias no vídeo.
"Bolsonaro foi condenado por isso, por chefiar uma organização criminosa armada que tentou, inclusive, um plano, a Operação Punhal Verde Amarelo, de assassinato do Lula, do Alckmin e do Alexandre Moraes", acrescentou.

Na mesma linha de Lindbergh Farias, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) também mencionou a questão de Bolsonaro ter sido considerado "líder" de uma “organização criminosa” ao comentar a transferência do ex-presidente para a Papudinha. E, assim como Boulos, também fez menção à uma fala antiga de Bolsonaro.

Erika relembrou uma entrevista, concedida pelo ex-presidente em 2018, em que ele afirma que "bandido tem que apodrecer na cadeia". Na ocasião, Bolsonaro respondia à pergunta de um jornalista, que o questionava se ele perdoava Adélio Bispo de Oliveira, o homem que desferiu uma facada contra ele durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018.

"Depois da família Bolsonaro dizer que o fracassado do Jair tava sendo torturado por um ar-condicionado, que ele não pode ficar na suíte de luxo da PF porque ele cai, e pedir a prisão domiciliar, o ministro Alexandre de Moraes tomou uma decisão… Bolsonaro vai pra Papudinha!", escreveu Erika no X (antigo Twitter).
"Ainda acho a Papudinha muito prum líder de organização criminosa que tentou um golpe de Estado. Por mim, Bolsonaro deveria viver as suas famosas palavras: ‘Bandido tem que apodrecer na cadeia. Se cadeia é lugar ruim, é só não fazer a besteira que não vai para lá.'", acrescentou.

O que muda para Bolsonaro

Na decisão, Moraes autorizou uma série de medidas em favor de Bolsonaro. Entre elas, estão assistência médica integral 24 horas, com médicos particulares previamente cadastrados, deslocamento imediato para hospitais, em caso de urgência, com comunicação posterior ao juízo, sessões de fisioterapia, conforme indicação médica, além de atendimento médico permanente pelo sistema penitenciário, em regime de plantão.

Moraes também autorizou visitas semanais permanentes da esposa, Michelle Bolsonaro, dos filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro, além da filha, Laura Bolsonaro, e da enteada Letícia Firmo, às quartas e quintas-feiras, em horários previamente definidos pela administração do presídio.

Ainda segundo a decisão, Moraes afirmou que as condições excepcionais concedidas ao ex-presidente no cumprimento da pena não transformam a prisão em uma "estadia hoteleira" ou "colônia de férias". De acordo com o ministro, os benefícios autorizados têm caráter absolutamente excepcional, mas não descaracterizam o cumprimento definitivo da pena imposta a Bolsonaro.

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