Aliados reagem à transferência de Bolsonaro para a Papudinha e criticam Moraes
Ministro do STF diz que condições especiais não transformam cumprimento da pena em “estadia hoteleira”, enquanto aliados falam em “perseguição política”


Vicklin Moraes
Após a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (15) da Superintendência Regional da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, aliados e apoiadores reagiram à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, afirmou em nota que recebeu a missão de dar continuidade ao projeto político liderado por seu pai, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
“É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, declarou.
Flávio afirmou ainda que não aceita o atual cenário do país. “Eu não posso e não vou me conformar ao ver o nosso país caminhar por um tempo de instabilidade, insegurança e desânimo. Não vou ficar de braços cruzados enquanto vejo a esperança das famílias sendo apagada e nossa democracia sucumbindo”, disse.
Segundo o senador, o Brasil enfrenta um período crítico. “O nosso país vive dias difíceis, em que muitos se sentem abandonados. Aposentados são roubados pelo próprio governo, narco-terroristas dominam cidades e exploram trabalhadores, estatais voltaram a ser saqueadas, novos impostos não param de ser criados ou aumentados e nossas crianças não têm expectativas de futuro. Ninguém aguenta mais”, afirmou.
O senador disse ainda estar disposto a assumir a missão política. "Eu me coloco diante de Deus e diante do Brasil para cumprir essa missão. Sei que Ele irá à frente, abrindo portas, derrubando muralhas e guiando cada passo dessa jornada”, afirmou, concluindo com a mensagem: “Que Deus abençoe o nosso povo. Que Deus abençoe o nosso Brasil".
Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se manifestou. “Continuo confiando e agradecendo a Deus, certa de que tudo acontece no tempo do nosso amado Pai, e não no nosso”, escreveu.
Michelle agradeceu ainda aos agentes da Polícia Federal. “Sou grata a todos da PF que, durante o período em que o meu amor esteve lá, cuidaram dele com atenção, auxiliando nas medicações e nas refeições. Que Deus os recompense e os abençoe grandemente. Estou a caminho do complexo para ver o meu amor”, afirmou.
A deputada federal Bia Kicis afirmou que “isso não é justiça” e disse que Bolsonaro “deveria ir para casa”. Já o deputado Nikolas Ferreira declarou que, embora o novo local “aparentemente pareça melhor, com menos barulho e atendimento médico 24 horas”, a principal pergunta permanece: “por que não enviá-lo para casa?”. Segundo ele, Bolsonaro “deveria estar livre por um crime que nunca cometeu”.
Na decisão, Alexandre de Moraes afirmou que as condições excepcionais concedidas ao ex-presidente não transformam o cumprimento da pena em “estadia hoteleira” nem em “colônia de férias”. Segundo o ministro, os benefícios autorizados têm caráter “absolutamente excepcional”, mas não descaracterizam o cumprimento definitivo da pena.
Na segunda-feira (13), Moraes também negou pedido da defesa para reconsiderar a decisão que rejeitou os embargos infringentes apresentados contra a condenação. No documento, os advogados sustentaram que os embargos seriam cabíveis porque a condenação, decidida por maioria na Primeira Turma do STF, teve divergência do ministro Luiz Fux, que votou pela absolvição de Bolsonaro.








