Política

Lideranças da oposição buscam consenso para candidato de Bolsonaro em 2026

Estratégia é fechar nome depois de indicação do ex-presidente, que ainda sonha voltar ao tabuleiro político e não definiu potencial herdeiro

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Leonardo Cavalcanti, Afonso Benites
24/05/2024, 21:00 • Atualizado em 25/05/2024, 11:36
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Tarcísio e Bolsonaro em imagem de setembro de 2020, durante evento na Bahia. (Alan Santos/PR)

Tarcísio e Bolsonaro em imagem de setembro de 2020, durante evento na Bahia. (Alan Santos/PR)

Lideranças da oposição ao governo Lula começaram a estabelecer limites para o candidato de Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto em 2026. A ideia é chancelar o nome escolhido pelo ex-presidente a partir de um consenso para evitar dividir a direita. O atual cenário é de uma completa dispersão, com ao menos cinco potenciais cabeças de chapa e dois que poderiam compor como vice.

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“Teremos chances de derrotar o PT unidos. O que não pode é ele teimar num nome que não tenha sido aclamado pelos principais partidos da oposição”, disse ao SBT News um parlamentar influente no Congresso e que teve assento privilegiado nos quatro anos do governo Bolsonaro.

Na atual configuração, os nomes mais aventados entre a direita são dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Goiás, Ronaldo Caiado (União), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Todos bolsonaristas.

Por fora, ainda é cogitado o nome do governador gaúcho, Eduardo Leite (PSDB). Esse teria severas restrições de Bolsonaro, mas seus apoiadores dizem que, se Leite apresentar um bom desempenho no combate à tragédia ambiental do Rio Grande do Sul, teria chance de ser cogitado como potencial opositor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Reabilitação no TSE

Algo que ainda está distante do radar dos opositores, mas não do ex-presidente, é a possível reabilitação eleitoral de Bolsonaro. "Na cabeça do Bolsonaro, o plano A é o próprio Bolsonaro. Se Lula foi impedido de concorrer em 2018 e pôde voltar a disputar a eleição [em 2022], por que Bolsonaro não poderia", disse outro parlamentar.

Desde o ano passado, Jair Bolsonaro está inelegível. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou os direitos políticos dele até 2030. Os ministros reconheceram a prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante uma reunião realizada no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros em 18 de julho de 2023 para falar sobre possíveis falhas de segurança do sistema eleitoral brasileiro.

A preocupação dos aliados do ex-presidente é que a insistência dele em um nome específico, que não tenha entrada nacional ou que não se empenhe na corrida presidencial, possa rachar a direita.

Entre os potenciais candidatos, o único que tem se movimentado firmemente para a disputa presidencial é Ronaldo Caiado, que já foi candidato em 1989. Ele tem participado de eventos fora de Goiás para tentar ser mais reconhecido. Com exceção de Tarcísio, os outros governadores já foram reeleitos. O fato de ainda poder concorrer à reeleição pesa numa potencial decisão de Tarcísio sobre disputar o Planalto.

Se estiver bem avaliado na reta final de sua gestão, a tendência é que o governador de São Paulo dispute a reeleição. Um movimento que pode mostrar qual será o rumo dele é a possível filiação ao PL. Tanto Bolsonaro quanto o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, contam com a filiação de Tarcísio no próximo mês. Mas essa decisão ainda não foi tomada.

Outros dois caminhos que são aventados pelo entorno de Bolsonaro é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), como uma potencial vice, ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que poderia ser vice ou cabeça de chapa. Considerado o filho mais político do clã, o senador tem menor relevância nas redes sociais que seus irmãos, o vereador Carlos e o deputado federal Eduardo, o que é um ponto analisado pelo núcleo duro do bolsonarismo.

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