IOF: Câmara impõe derrota a Lula com apoio de partidos que controlam 12 ministérios; veja próximos passos
União Brasil, MDB, Republicanos, PSD, PP e PDT se somaram à oposição e colocaram o governo contra a parede; Planalto tenta ganhar tempo
Rafael Porfírio
17/06/2025, 15:01 • Atualizado em 17/06/2025, 15:01
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Plenário da Câmara nessa segunda (16), dia em em que requerimento de urgência de projeto para suspender decreto do IOF foi aprovado | Divulgação/Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu mais uma derrota da Câmara dos Deputados nessa segunda-feira (16) e, dessa vez, com direito participação quase completa da base aliada. Partidos que comandam 12 ministérios, como União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB e até o PDT, se juntaram à oposição e ajudaram a aprovar, por 346 votos, a urgência do projeto que acelera a derrubada do decreto que aumenta o IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras.
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No outro lado da trincheira, apenas 97 deputados ficaram com o governo, basicamente PT, PSB e PSOL. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), preferiu "liberar" a bancada, ou seja, não orientou nem sim, nem não. Sinal claro de que já esperava uma derrota.
E não foi só voto. Teve discurso inflamado de parlamentares que aproveitaram os microfones para criticar o governo. Os da oposição voltaram com o apelido "Taxadd" para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e afirmaram que o governo desrespeita o Legislativo, responsável por tratar de aumentos de impostos.
Em resposta, os líderes do governo repetiram a defesa do arcabouço fiscal e alertaram que, se o decreto cair, vai faltar mais de R$ 12 bilhões no caixa, exigindo cortes já no dia seguinte.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou a metáfora preferida de Lula e Haddad pra tentar colocar panos quentes.
"Essa discussão não é sobre quem mora na cobertura ou no andar de baixo, é sobre todos nós que moramos no mesmo prédio", disse Motta. "Não é hora de medir forças", destacou.
346 votos. Um recado claro da sociedade — a Câmara foi apenas o veículo que ecoou essa demanda: o país não aguenta mais aumento de imposto.
Toda essa discussão sobre as contas não é sobre quem mora na cobertura ou no andar de baixo. É sobre todos nós que moramos no mesmo…
Por trás do discurso de que "não é sobre imposto", está a insatisfação geral com a liberação de emendas parlamentares. Tem deputado cobrando fatura atrasada.
A manobra de Motta acertada com o presidente Lula e com os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi votar só a urgência, deixando a análise do mérito do projeto pra depois.
Assim, o governo ganhou duas semanas de respiro, período em que o Congresso estará esvaziado por causa das festas juninas e do Fórum de Lisboa, evento jurídico organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na capital de Portugal.
A ideia do Palácio do Planalto é clara: evitar que o mérito da proposta vá ao plenário antes do recesso. Para isso, vai precisar negociar e, provavelmente, abrir o cofre das emendas.
Políticos a par das negociações ouvidos pelo SBT News apontam que essa articulação nos bastidores é a única chance de o governo virar o jogo. Nas redes sociais, a ministra Hoffmann minimizou o impacto.
"A votação da urgência para o PDL do IOF não cessa a eficácia do novo decreto sobre alíquotas do imposto nem abala a confiança do governo no diálogo com o Legislativo", disse. "Quanto mais debate houver sobre taxação de bets, dos investimentos financeiros incentivados e outras distorções tributárias mais avançaremos no rumo da justiça fiscal e social", destacou Gleisi.
A votação da urgência para o PDL do IOF não cessa a eficácia do novo decreto sobre alíquotas do imposto nem abala a confiança do governo no diálogo com o Legislativo para aprovar as medidas necessárias ao fortalecimento das contas públicas. Quanto mais debate houver sobre taxação…
A oposição, por sua vez, não quer dar sossego. Já começou a pressionar para que o projeto seja votado ainda nesta semana. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu que o mérito entre na pauta nesta quarta (18).
A votação da urgência foi o primeiro aviso. Se o Planalto não reconquistar sua base, a derrota definitiva será questão de tempo.
IOF: Câmara impõe derrota a Lula com apoio de partidos que controlam 12 ministérios; veja próximos passosUnião Brasil, MDB, Republicanos, PSD, PP e PDT se somaram à oposição e colocaram o governo contra a parede; Planalto tenta ganhar tempoPolítica2025-06-17T15:01:22.399ZO governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu e, dessa vez, com direito participação quase completa da base aliada. Partidos que comandam 12 ministérios, como União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB e até o PDT, se juntaram à oposição e ajudaram a aprovar, por 346 votos, a urgência do projeto que acelera a derrubada do decreto que aumenta o IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras. No outro lado da trincheira, apenas 97 deputados ficaram com o governo, basicamente PT, PSB e PSOL. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), preferiu "liberar" a bancada, ou seja, não orientou nem sim, nem não. Sinal claro de que já esperava uma derrota. E não foi só voto. Teve discurso inflamado de parlamentares que aproveitaram os microfones para criticar o governo. Os da oposição voltaram com o apelido "Taxadd" para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e afirmaram que o governo desrespeita o Legislativo, responsável por tratar de aumentos de impostos. Em resposta, os líderes do governo repetiram a defesa do arcabouço fiscal e alertaram que, se o decreto cair, vai faltar mais de R$ 12 bilhões no caixa, exigindo cortes já no dia seguinte. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou a metáfora preferida de Lula e Haddad pra tentar colocar panos quentes. "Essa discussão não é sobre quem mora na cobertura ou no andar de baixo, é sobre todos nós que moramos no mesmo prédio", disse Motta. "Não é hora de medir forças", destacou. IOF: entenda disputa entre governo e Congresso Por trás do discurso de que "não é sobre imposto", está a insatisfação geral com a liberação de emendas parlamentares. Tem deputado cobrando fatura atrasada. A manobra de Motta acertada com o presidente Lula e com os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi votar só a urgência, deixando a análise do mérito do projeto pra depois. Assim, o governo ganhou duas semanas de respiro, período em que o Congresso estará esvaziado por causa das festas juninas e do Fórum de Lisboa, evento jurídico organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na capital de Portugal. A ideia do Palácio do Planalto é clara: evitar que o mérito da proposta vá ao plenário antes do recesso. Para isso, vai precisar negociar e, provavelmente, abrir o cofre das emendas. Políticos a par das negociações ouvidos pelo SBT News apontam que essa articulação nos bastidores é a única chance de o governo virar o jogo. Nas redes sociais, a ministra Hoffmann minimizou o impacto. "A votação da urgência para o PDL do IOF não cessa a eficácia do novo decreto sobre alíquotas do imposto nem abala a confiança do governo no diálogo com o Legislativo", disse. "Quanto mais debate houver sobre taxação de bets, dos investimentos financeiros incentivados e outras distorções tributárias mais avançaremos no rumo da justiça fiscal e social", destacou Gleisi. A oposição, por sua vez, não quer dar sossego. Já começou a pressionar para que o projeto seja votado ainda nesta semana. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu que o mérito entre na pauta nesta quarta (18). A votação da urgência foi o primeiro aviso. Se o Planalto não reconquistar sua base, a derrota definitiva será questão de tempo.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/iof-camara-impoe-derrota-a-lula-com-apoio-de-partidos-que-controlam-12-ministerios-veja-proximos-passos