Governo Lula manobrou para enterrar relatório da CPI, diz Moro após ser retirado de comissão
Ao SBT News, senador diz que foi pego de surpresa; mudança na composição visou derrotar relatório final da CPI do Crime Organizado





Raquel Landim
Soane Guerreiro
Nathalia Fruet
Iander Porcella
Vicklin Moraes
O senador e pré-candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro, afirmou nesta terça-feira (14) que foi pego de surpresa por uma “articulação pesada” nos bastidores do Congresso após ser retirado da CPI do Crime Organizado. Segundo ele, líderes do Senado alteraram de última hora a composição da comissão para garantir a derrota do relatório final.
Indignado com a movimentação, Moro criticou a
“Querem transformar em pizza a CPI do Crime Organizado. Apresentei requerimento de diligências, votei. Tivemos uma grande dificuldade, que foram decisões individuais do Supremo Tribunal Federal”, declarou.
A manobra política ocorreu, de acordo com o senador, para derrubar o parecer de Alessandro Vieira (MDB-SE), que sugeria o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Moro também afirmou que a articulação reflete o perfil do governo Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o Executivo de tentar barrar investigações. “Não quer investigação e quer jogar tudo para debaixo do tapete”, disse.
O senador ainda relacionou a movimentação política a investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”.
“No fundo, a gente vê hoje um país que tem gente acima da lei. A gente não consegue investigar, a gente não consegue apurar e os órgãos que deveriam fazer isso não estão fazendo. É uma lástima para o nosso país", afirmou.
Com a troca repentina de integrantes da comissão, os líderes conseguiram os votos necessários para rejeitar o relatório e encerrar a CPI sem as punições sugeridas contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Marcos do Val diz que sua saída é "desespero do governo"
O senador Marcos do Val (Podemos-ES) também reagiu duramente à sua retirada da comissão. Ele apontou o líder do MDB, Eduardo Braga, como o articulador da mudança que teria favorecido o governo.
“O meu voto era favorável ao relatório. E aí, como o nosso grupo não tinha um líder, Eduardo Braga assumiu e decidiu tirar eu e o Sérgio Moro e colocar dois no bloco do PT, que nem fazem parte do bloco. É descaradamente um movimento de desespero do governo, sabendo que, de fato, eles têm culpa no cartório. Eduardo Braga não justificou nada, simplesmente fez. As ações falam mais que mil palavras”, afirmou Do Val.









