Governo desmente alerta interno sobre risco ao agronegócio por conflito no Oriente Médio
Ministério da Agricultura afirma que documento que citava "risco elevadíssimo" para fertilizantes foi produzido individualmente e não representa posição oficial



Caio Aquino
Hariane Bittencourt
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desmentiu, nesta quinta-feira (12), o alerta emitido por documentos que circularam entre servidores da pasta e apontavam para um "risco elevadíssimo" ao agronegócio brasileiro causado pela escalada militar no Oriente Médio. Os textos indicavam uma iminente crise envolvendo os fertilizantes.
Segundo o ministério, as notas técnicas que passaram a ser divulgadas nesta semana foram elaboradas por um servidor, de forma individual, e têm caráter opinativo. O governo afirma que o material "não passou pelos processos formais de análise e validação" que normalmente orientam os posicionamentos oficiais do órgão.
Ainda de acordo com o comunicado, o conteúdo não foi discutido no Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CONFERT), colegiado responsável por debater diretrizes relacionadas ao setor no país.
"O conteúdo citado não foi objeto de discussão no colegiado competente e sequer submetido à apreciação das áreas responsáveis que participam da elaboração de diretrizes institucionais sobre o tema", disse o ministério em nota enviada ao SBT News.
A pasta também destacou que posicionamentos institucionais só podem ser considerados válidos quando passam pela análise dos órgãos técnicos competentes e são emitidos pelas instâncias responsáveis pela formulação de políticas públicas dentro do ministério.
Risco ao agronegócio brasileiro
O assunto ganhou repercussão após a divulgação de documentos alertando para possíveis e graves impactos da escalada do conflito no Oriente Médio sobre o fornecimento global de fertilizantes. Os documentos, que receberam classificação de urgência, seriam remetidos ao secretário-executivo do ministério, Irajá Rezende de Lacerda.
O Brasil bateu recorde de importação de fertilizantes em 2025, atingindo 45,5 milhões de toneladas, e é um dos maiores importadores do insumo no mundo. Por isso, depende de fornecedores internacionais para sustentar a produção agrícola.
Apesar disso, e sem deixar claro quais são os impactos reais ao agronegócio brasileiro, o Ministério da Agricultura afirmou que as notas divulgadas não representam avaliação oficial do governo sobre os riscos ao agronegócio.
Relação Brasil e Irã
As importações brasileiras do Irã se concentram principalmente em adubos e fertilizantes, que movimentaram cerca de US$ 84 milhões em 2025. Frutas secas, nozes e pistaches também estão entre os principais itens comprados pelo Brasil.
Ainda que o volume de fertilizantes importado do Irã não seja tão expressivo quando comparado a outros fornecedores, o governo brasileiro monitora o atual cenário com cautela. Isso porque o prolongamento da instabilidade na região pode pressionar os preços internacionais de energia e insumos agrícolas, com efeitos indiretos sobre os custos de produção no campo e, consequentemente, sobre a inflação de alimentos.









