Política

Governo confirma exoneração de Neri Geller de secretaria após cancelamento do leilão de arroz

O também ex-deputado federal vinha recebendo pressão por parceria societária entre filho e negociador da arrematação

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SBT News
12/06/2024, 14:15 • Atualizado em 12/06/2024, 14:18
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Neri Geller foi deputado federal pelo Mato Grosso | Paulo Sergio/Câmara

Neri Geller foi deputado federal pelo Mato Grosso | Paulo Sergio/Câmara

O governo confirmou a exoneração do secretário de Política Agrícola, Neri Geller, após polêmicas envolvendo o leilão de arroz importado. A decisão saiu no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (12). Subordinado ao Ministério da Agricultura, ele vinha sofrendo pressão por conta de relações com empresários do setor.

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Marcelo Piccini Geller, filho do ex-deputado, é sócio de um ex-assessor do secretário: Robson Luiz de Almeida França, um dos negociadores do leilão, o que configuraria suposto caso de favorecimento.

Nessa terça (11), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que Geller tinha colocado cargo à disposição e que não havia razões para suspeitar de envolvimento.

Exoneração de Neri Geller saiu no Diário Oficial da União | Reprodução
Exoneração de Neri Geller saiu no Diário Oficial da União | Reprodução

"Essa empresa [sociedade entre Marcelo e Robson] não está operando, não está participando do leilão, não fez nenhuma operação e isso é fato também. Nenhum fato que gere qualquer tipo de suspeita. Mas que, de fato, gerou um transtorno e por isso ele colocou hoje de manhã o cargo à disposição. Ele pediu demissão e eu aceitei", continuou o ministro.

Quando questionado se o ex-parlamentar foi demitido, Fávaro afirmou: "Ele pediu demissão e eu aceitei".Leilão de arroz

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, confirmou na terça (11) o cancelamento do leilão para a compra de arroz importado. Segundo afirmou, empresas vencedoras poderiam não ter capacidade técnica e financeira para honrar os compromissos. Um novo leilão será realizado, mas ainda não há data.

Na quinta passada (6), o governo havia confirmado a compra de 263,4 mil toneladas do cereal, por um valor de R$ 1,32 bilhão. A intenção da companhia era comprar até 300 mil toneladas.

Decidiu-se pela importação como medida contra desabastecimento e aumento nos preços do produto após crise com chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul – responsável por cerca de 70% da produção nacional. Como afirmado por Pretto, medida tinha como alvo unicamente o "elo mais fraco", o consumidor.

Na coletiva de imprensa dessa terça, representantes do governo explicaram que "as empresas são representadas por bolsas de mercadorias" e somente quando se conclui o acordo é que se sabe o nome de quem venceu. O governo, ao ter acesso aos vendedores, questionou "se verdadeiramente estas teriam capacidade técnica e financeira para honrar os compromissos".

O chefe da Conab também afirmou que o modelo, executado pela primeira vez desde 1987, será revisto para um novo leilão. "Nós pretendemos fazer um novo leilão, quem sabe em outros modelos, para que a gente possa ter as garantias de que nós vamos contratar empresas que tenham a capacidade", afirmou.

Entenda: entre as funções da Conab, está administração de reservas de grãos e outros produtos agrícolas que podem tanto virar insumos, como o milho para ração, quanto chegar às gôndolas de supermercados. A finalidade é o controle de preços e/ou a garantia de oferta daquele produto. ADI nº 7.664: há também, em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF), uma ação movida pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) que questiona constitucionalidade das Medidas Provisórias (MPs) e demais atos que autorizam a realização do presente leilão.

CPI: congressistas também se articulam para frear a arrematação. Até a manhã de hoje (12), a oposição alcançou 115 assinaturas, de no mínimo 171, para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito.

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