Política

Gilmar diz esperar que Trump não interfira nas eleições

Ministro afirma que Brasil tem democracia sólida e defende atuação da Justiça Eleitoral para preservar confiança no sistema eletrônico de votação

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Caio Barcellos
Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal | Divulgação/Victor Piemonte/STF

Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal | Divulgação/Victor Piemonte/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (19) esperar que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras de outubro e disse que a solidez das instituições e a confiança no sistema eletrônico de votação dão segurança ao processo eleitoral.

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A declaração foi dada durante a 4ª edição do Fórum Saúde, promovido pela Esfera Brasil e pela farmacêutica EMS, em Brasília, ao ser questionado sobre o risco de interferência norte-americana na disputa em meio ao aumento das tensões entre os dois países.

“Eu espero que não [tenha interferência]. Como vocês sabem, o Brasil tem uma democracia sólida. Um dos pilares de confiança é o sistema eletrônico de votação”, afirmou Gilmar.

O ministro destacou a rapidez da apuração das eleições brasileiras e afirmou que cabe à Justiça Eleitoral agir para afastar questionamentos sobre a segurança das urnas. Segundo ele, o funcionamento do sistema ao longo das últimas décadas consolidou a credibilidade do processo.

“Vocês todos acompanham as eleições há mais de 20 anos com a fidelidade que se tem. Às cinco horas se encerram as sessões, às sete horas da noite nós já temos os resultados e continuamos tendo essa credibilidade. Acho que a Justiça Eleitoral deve zelar para evitar qualquer dúvida sobre a funcionalidade, o funcionamento e a segurança do nosso sistema e dar respostas adequadas”, disse.

A discussão sobre uma eventual interferência dos Estados Unidos ganhou força no fim de julho, quando o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do governo Donald Trump que planejavam viajar ao Brasil.

Segundo reportagem do Washington Post, Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, pretendiam contestar a confiabilidade das urnas e do sistema eleitoral brasileiro.

Questionado sobre a decisão brasileira, Gilmar diferenciou o episódio das missões internacionais formalmente credenciadas para acompanhar as eleições no país. O ministro lembrou que, quando presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), participou das negociações que permitiram à Organização dos Estados Americanos (OEA) atuar como observadora do processo eleitoral brasileiro.

“Eu mesmo, presidente do TSE, negociei com a OEA aquele status de observação eleitoral. E a OEA esteve nas eleições do Brasil e atesta a fidelidade do nosso sistema, a sua rigidez e a sua prontidão”, afirmou. Sobre o caso dos representantes norte-americanos, acrescentou que a controvérsia lhe parece “uma questão política diplomática”.

O TSE mantém missões internacionais de observação para as eleições de 2026, como a OEA, União Europeia, Parlasul, União Interamericana de Organismos Eleitorais (UNIORE), Liga dos Estados Árabes e uma rede de órgãos eleitorais de países de língua portuguesa. As missões atuam segundo regras da Justiça Eleitoral e não podem interferir na condução das eleições.

Além disso, a Corte também mantém diálogo com representantes diplomáticos dos Estados Unidos. Em 6 de agosto, uma equipe da embaixada norte-americana esteve no TSE para receber informações sobre o processo eleitoral, incluindo os mecanismos de segurança, transparência e auditoria das urnas.

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