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Fazenda: EUA já interferem nas eleições brasileiras

Durigan destaca que governo de Donald Trump exige concessões sob ameaça de novas penalidades, mas espera redução das tensões depois das eleições

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Caio Barcellos
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, no anúncio do Desenrola Adimplentes | Divulgação/Washington Costa/MF

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, no anúncio do Desenrola Adimplentes | Divulgação/Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (19) que o governo brasileiro já identifica interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral e criticou a postura adotada por Washington nas negociações com o Brasil em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países.

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“A gente já está vendo alguma interferência, que não tem razão de ser”, disse Durigan durante a 4ª edição do Fórum Saúde, promovido pela Esfera Brasil e pela farmacêutica EMS, em Brasília.

Segundo o ministro, o governo brasileiro tem buscado manter canais diplomáticos e apresentar propostas para resolver os pontos de atrito, mas encontra do lado norte-americano uma posição que classificou como incompatível com uma relação entre países soberanos.

“A gente fez um esforço grande de diplomacia, de conversa, de apresentar propostas, mas do outro lado o que a gente recebe é o seguinte: ou vocês se rendem e abrem mão de qualquer pleito brasileiro e cedem completamente, ou nós vamos impor penalidade. E nós não concordamos com esse tipo de postura”, complementou.

O ministro voltou a relacionar o atual nível de tensão entre os dois países ao calendário eleitoral brasileiro e disse esperar uma mudança de ambiente depois do pleito. Segundo ele, a redução do componente político permitiria retomar as negociações em bases mais racionais.

“Eu tenho a esperança de que, passadas as eleições, como o argumento de interferência eleitoral diminui, é que a gente possa, de novo, botar racionalidade no centro do debate e poder avançar”, disse.

Durigan também voltou a questionar a lógica econômica das tarifas impostas ao Brasil. Para o ministro, as duas economias têm um grau elevado de complementaridade, já que produtos brasileiros como café, carne e suco de laranja, além de bens industriais como aviões e móveis, abastecem o mercado norte-americano.

“Não faz sentido impor uma penalidade geral ao país, impor uma tarifa geral ao país, quando nós temos um país que é mais pobre que os EUA, têm renda per capita menor, quando a gente exporta muita matéria-prima, então suco de laranja, café, carne, ou mesmo algumas coisas mais sofisticadas, como avião, indústria de móveis, e isso ajuda a economia dos EUA”, declarou

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