Flávio Bolsonaro dificulta apoio do Centrão a sua candidatura ao cogitar o irmão Eduardo no Itamaraty
Partidos de direita avaliam que Flávio precisa evitar radicalização e fazer acenos ao centro para reduzir sua rejeição

Iander Porcella
Lideranças do Centrão que já não se empolgavam com a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência ficaram ainda mais incomodadas com a sinalização do senador de que poderia nomear seu irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo.
Os partidos de direita avaliam que Flávio precisa evitar radicalização e fazer acenos ao centro para reduzir sua rejeição, que é vista como uma âncora para o desempenho eleitoral.
Ninguém acredita que Eduardo conseguiria assumir qualquer ministério, por causa das investigações que o atingem no Supremo Tribunal Federal (STF), mas a mera sinalização de que o ex-deputado teria papel central no governo do irmão é suficiente para afastar eleitores, dizem políticos de direita.
Essa postura de Flávio dificulta ainda mais o apoio de partidos a sua candidatura. "Primeiro tem de vencer, aí ele nomeia quem quiser", disse ao SBT News um dos principais membros do Centrão, que preferiu não se identificar.
Líderes da direita ressaltam, com base em pesquisas, que Eduardo se tornou "tóxico" ao defender o tarifaço de Donald Trump e as sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.
Quando o ex-deputado foi cogitado para disputar a Presidência, integrantes do Centrão foram taxativos em rejeitar a ideia e chegaram a afirmar que, nesse caso, preferiam apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista nesta terça-feira, 6, ao influenciador Paulo Figueiredo, que está nos EUA com Eduardo Bolsonaro, Flávio mencionou o irmão quando questionado sobre o Itamaraty. "Temos um craque em casa, nessa parte de relações internacionais. É um privilégio poder contar com o próprio irmão, a lealdade é 100%, é sangue do meu sangue", afirmou.
"Imagina o Flávio Bolsonaro presidente da República tendo alguém que, pelo mundo, possa trazer investimentos para o Brasil, que esteja falando em nome do presidente da República, de mesmo sobrenome", emendou.
Partidos como PP, União Brasil e Republicanos - que pretendiam aderir de forma automática a uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao Palácio do Planalto - ainda avaliam se vão ou não apoiar Flávio, a depender da viabilidade do senador.
O União, inclusive, resolveu se reaproximar do governo Lula com a indicação de Gustavo Feliciano para o Ministério do Turismo.








