Estado brasileiro é dominado pelo centrão e precisa de reforma profunda, diz Renan Santos, pré-candidato à Presidência
Presidente do Missão, partido ligado ao MBL, promete campanha de "sincericídios": "Quero eleição em que as pessoas serão tratadas como adultos"



Roberta Russo
Eduardo Gayer
Victoria Abel
Felipe Moraes
Renan Santos (Missão), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (17), em entrevista ao programa Radar News, do SBT News, que não quer "perder tempo com rótulos" ideológicos no debate político, prometendo foco "na solução de problemas" dos brasileiros e uma campanha baseada em "sincericídios". "Quero eleição em que as pessoas serão tratadas como adultos", disse. Para o empresário e músico, o Estado é "dominado pelo centrão" e precisa de "uma reforma profunda".
Apesar de se identificar com pautas da direita, como livre mercado e que "a polícia tenha condição de ir pra cima dos bandidos, sem a turma dos direitos humanos enchendo o saco", ele prefere se classificar como uma pessoa "extremamente honesta, mais inteligente e mais preparado que os demais".
"Não vou ficar no clichê. As pessoas ficam só repetindo palavrinhas, 'sou conservador' ou 'gosto do povo'. São discussões idiotas de 'sou verde e amarelo', 'sou vermelho'. O ladrão continua assaltando e você continua pobre. Não quero perder tempo com rótulos, quero focar na solução de problemas", falou.
O partido de Santos, Missão, é vinculado ao Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou relevância na década passada em protestos contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e por defender pautas como combate à corrupção, na esteira da operação Lava Jato.
Santos reconheceu que o MBL "pagou um preço" por, durante o governo passado, fazer críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Se tá cometendo erro, agindo contra o que considero correto, a gente vai bater, não importa se é de esquerda ou direita", disse, em conversa com a apresentadora Roberta Russo e os analistas Eduardo Gayer e Victoria Abel.
Na visão de Santos, o domínio do centrão, "absolutamente corrupto, impede regiões inteiras do Brasil de se desenvolver". "Pessoas do Nordeste continuam migrando pro Sudeste e pro Sul e o motivo é político", opinou.
"O que é o 'gostar do povo' de Lula? Vi gente no Maranhão andando em cima de esgoto, dividindo comida com urubu. Ao mesmo tempo, problemas no Sul e Sudeste, que a direita bolsonarista diz cuidar. Questões de segurança, morte de mulher, criança, assalto, roubo de celular continuam altíssimos. Problemas não são resolvidos", completou.
Perguntado sobre qual eleitor busca conquistar, Santos afirma que não procura fisgar "eleitor A, B ou C" e reforça tese numa campanha baseada na franqueza. "Nos lugares onde cometo sincericídios, as pessoas estão reagindo bem. Vou rodar todos os lugares falando dos problemas locais e, inclusive, dos problemas do eleitor. Porque o eleitor não é perfeito. A voz do povo não é a voz de Deus. No sentido de que também erra, acredita em mentira, cai em truque", comentou.
Propostas: menos municípios e criação de outro estado no RJ
Entre as propostas idealizadas, Santos defende a fusão de municípios e a criação de outro estado, o da Guanabara, no Rio de Janeiro. Segundo ele, "a maior parte" das cidades brasileiras "não se sustenta" e apresenta baixos indicadores sociais. A ideia dele é que localidades menores se juntem a maiores, "para ter um prefeito e nove vereadores". "Eu vou demitir um monte de prefeito e vereador, basicamente um monte de parasita."
Sobre o plano para o RJ, ele que diz que o novo estado da Guanabara teria status autônomo e citou exemplos como Buenos Aires e Hong Kong. Para o pré-candidato presidencial, a mudança daria força ao Rio para "tratar os problemas de segurança pública" e poder "focar em ser polo de tecnologia, entretenimento, turismo, como é Dubai".
Santos declara não se preocupar com possíveis dificuldades no Congresso Nacional para aprovar esses projetos e diz que, no pleito de 2026, o Missão não se preocupa em fazer contas para evitar cair na cláusula de barreira, mecanismo de desempenho que restringe acesso de siglas ao fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão.
"Se eu ficasse preso nessa conta, estaria fazendo o que todos fazem. Entregam diretórios estaduais pra algum político do centrão com dinheiro e, em troca, ele nos dá um deputado federal pra passar da cláusula. Não vamos negociar diretórios. Saiu pesquisa Atlas recente dizendo que nosso partido é o quarto mais bem avaliado, mesmo com apenas cinco meses de idade. Se isso se confirmar nas urnas, sem muito esforço a gente passa a cláusula de barreira", explicou.








