Em viagem ao Xingu, Lula é criticado por cacique Raoni por exploração de petróleo na Foz do Amazonas
Em evento, presidente condecorou líder no Grau de Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito

Gabriela Tunes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi criticado pelo cacique Raoni Metuktire por defender a exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Durante encontro na cerimônia na aldeia Piaraçu, no Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, nesta sexta-feira (4), o cacique disse que “podem haver consequências muito grandes” com a exploração. Na ocasião, o presidente também condecorou o cacique Raoni no Grau de Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito
Em fevereiro, Lula afirmou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) precisa autorizar a Petrobras a perfurar poços em busca de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas (FZA-M-59), na Margem Equatorial, no litoral do Amapá.
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A região tem grande potencial de conter reservatórios de petróleo, no entanto, a exploração é questionada por ambientalistas, por causa de possíveis danos.
A Margem Equatorial abrange cinco bacias em alto-mar, entre elas, a Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, cuja licença para prospecção marítima foi negada em maio de 2023. Na época, o Ibama alegou que a decisão foi tomada “em função do conjunto de inconsistências técnicas” para uma operação segura em nova área exploratória, como deficiência no Plano de Proteção à Fauna.
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Durante a visita ao Xingu, Lula recebeu rituais e se reuniu com outras lideranças indígenas. Ele também ouviu as demandas da população que vive no local e defendeu que os indígenas são essenciais para zerar o desmatamento da Amazônia até 2030.
Durante discurso, o presidente Lula defendeu a reivindicação de territórios indígenas. “Vocês têm direito de reivindicar quantos territórios forem necessários pra gente manter a cultura e a tradição indígena”, afirmou.