Em entrevista a TV indiana, Lula diz que "mundo está muito nervoso" e defende regulação de IA e das redes
O presidente também reforçou sua posição sobre temas como multilateralismo, Brics e reforma do Conselho de Segurança da ONU

Felipe Moraes
O presidente Lula (PT) voltou a defender a regulação da inteligência artificial (IA) e das redes sociais em entrevista à TV India Today, nesta sexta-feira (20). O mandatário comentou que o "mundo está muito nervoso" e afirmou que chefes de Estado precisam estabelecer harmonia e civilidade nas relações entre países.
"Acredito que o comportamento de dois chefes de Estado... Eu nunca comunicaria uma ação, do meu lado, com a Índia pelo Twitter", afirmou, citando antigo nome do X. "Eu ligaria para o primeiro-ministro [Narendra] Modi, falaria com Modi primeiro antes de fazer um comunicado. Você não pode ser pego de surpresa com notícia inesperadas porque alguém tomou uma decisão contra o seu país", disse. "O correto é marcar encontro e mandar seus ministros das Relações Exteriores para conversar antes, porque o mundo está muito nervoso."
"Acredito que o que chamamos de rede social é algo que não tem muito de social", continuou. "Tem um lado negativo das redes que pessoas com má-fé, com más intenções, usam [as redes] e mentiras prevalecem, coisas ruins prevalecem. É por isso que defendemos a regulação das plataformas. E a plataforma, quando publicizar algo violento contra qualquer pessoa, tem que ser punida e colocada em julgamento. De outro modo, não vamos enfrentar o problema. Agora, no Brasil, proibimos celulares para crianças nas escolas. Foi um ganho extraordinário para a educação", completou, ainda no tema da regulação das big techs.
Um dia após discursar sobre perigos da IA em cúpula sobre o assunto na Índia, Lula reafirmou que governos não podem permitir que essa tecnologia seja usada "para coisas negativas, que vão causar danos para as pessoas e provocar violência".
"Se não regularmos e perdermos controle, isso não será bom para a humanidade. Poderá ser lucrativo pra uma ou outra pessoa, mas não será bom para humanidade. Quem tem de tomar conta da inteligência artificial é a sociedade civil."
Lula reforçou sua defesa do multilateralismo e do Brics e também uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, sugerindo a inclusão permanente de países como Brasil, Índia, Alemanha e Japão. "Há necessidade de que a ONU seja fortalecida de novo, para que possa coordenar qualquer tipo de conflito existente no mundo", opinou.
O mandatário também destacou a posição brasileira de um Estado "disposto a negociar com todos os países". "Toda guerra começa com guerra comercial. O Brasil não deseja uma segunda Guerra Fria. Nós não queremos uma Guerra Fria entre China e Estados Unidos", disse, elogiando o Brics como "algo novo e estabelecido" nas relações entre países.
"Nós criamos um banco, o Novo Banco de Desenvolvimento, do Brics, que atua de maneira diferente de outras instituições internacionais, como FMI ou Banco Mundial. Nós não precisamos copiar tudo que aconteceu no século 20. Nós podemos inovar no século 21, de acordo com as necessidades de avanço da sociedade. O Brics é essa esperança", acrescentou.








