Política

Eleição brasileira traz “pouca esperança”, diz The Economist

Editorial diz que Brasil "vira as costas para o futuro" ao escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro e aponta riscos para a economia

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Caroline Vale
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) | Vitor Salles/Flickr - Ricardo Stuckert/Flickr

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) | Vitor Salles/Flickr - Ricardo Stuckert/Flickr

A revista britânica The Economist publicou nessa quinta-feira (24) um editorial sobre as eleições presidenciais brasileiras de 4 de outubro. Com o título “O Brasil vira as costas para o futuro”, o texto afirma que a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) oferece “pouca esperança” de mudança na trajetória do país e chama os dois de "deploráveis".

O editorial destaca o potencial brasileiro, citando as reservas de petróleo, a Amazônia, a geração de energia hidrelétrica, a produção agrícola, os minerais de terras raras e uma população de 220 milhões de pessoas.

Apesar disso, a revista afirma que o país está “preso na pista” e que a economia brasileira ficou estagnada em relação a seus pares e ao crescimento médio global nas últimas cinco décadas.

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"A eleição geral de 4 de outubro oferece pouca esperança de uma reviravolta. A escolha que se apresenta aos brasileiros é sombria", diz o editorial. "Na ausência de um crescimento mais robusto, a disputa entre as elites políticas pelo controle dos recursos públicos gera um sentimento de desesperança em muitos brasileiros comuns, o que beneficia os políticos extremistas."

Para a The Economist, o potencial do Brasil continuará em espera por pelo menos mais quatro anos. Ao mesmo tempo, ressalta que instituições como a Polícia Federal, a imprensa e o corpo diplomático continuam funcionando e que o país ainda possui mecanismos capazes de enfrentar crises.

Editorial avalia Lula e Flávio

Sobre Lula, a The Economist reconhece que o presidente é democrata e tem uma posição considerada positiva em relação ao meio ambiente, mas afirma que ele fez pouco para impulsionar o crescimento ou controlar os gastos públicos. O texto também critica a falta de reformas econômicas e menciona o aumento da despesa com juros da dívida pública.

A revista também faz críticas a Flávio Bolsonaro. Segundo o texto, o senador questiona a integridade das urnas eletrônicas, nega que a ação humana seja responsável pelas mudanças climáticas e sinaliza que poderia não reconhecer uma eventual vitória de Lula.

"Ele vem sendo investigado por supostos vínculos com criminosos violentos, o que ele nega. Sua principal proposta é o indulto para seu pai, que em setembro de 2025 foi condenado a 27 anos de prisão por conspiração", pontua.

Para a publicação, nenhum dos dois candidatos apresenta uma solução considerada crível para dois problemas que classifica como centrais: “a corrupção enraizada” e “a expansão incessante dos gastos públicos”.

O editorial também cita Renan Santos (Missão) como o candidato "libertário combativo" cujas ideias mais se aproximariam do que, na avaliação da revista, o momento exige. O candidato defende reformas estruturais e cortes de gastos, mas, segundo o texto, não conseguiu avançar contra as estruturas políticas de Lula e Bolsonaro.

Caso Master

A publicação também cita o escândalo do Banco Master, que, segundo o texto, surgiu poucas semanas após a condenação de Jair Bolsonaro e rapidamente envolveu o Supremo Tribunal Federal.

"As investigações policiais já demonstraram que cinco dos 11 ministros do tribunal tinham ligações com Daniel Vorcaro, o playboy mentor do esquema. Isso alimenta o cinismo popular", afirmou.

Para a The Economist, o caso alimenta o cinismo da população e facilita que parte dos brasileiros ignore a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e apoie seu filho.

A revista diz que um possível gatilho para uma crise no país seria a combinação de aumento da dívida e dos custos de financiamento, levando a uma piora econômica, desvalorização do real, inflação e recessão.

"Talvez só então os brasileiros se voltassem para alguém disposto a defender a ideia impopular de que sacrifícios serão necessários para um futuro em que um país abençoado nunca mais seja condenado a escolher entre dois candidatos tão deploráveis", concluiu.

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