É visível que Bolsonaro tentou dar golpe no país, diz Lula após decisão do STF
Ex-presidente se tornou réu por trama golpista e passará por novo julgamento na Corte

Camila Stucaluc
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, na noite de quarta-feira (26), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou Jair Bolsonaro (PL) réu por tentativa de golpe de Estado. O líder afirmou que a Corte se baseou na investigação da Polícia Federal, que deixou clara a participação do ex-presidente na trama golpista.
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"A Suprema Corte está se baseando e se manifestando em autos do processo, depois de meses de investigação muito bem feita pela Polícia Federal e pelo MPF [Ministério Público Federal] e com muita delação de gente importante. É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país”, disse o presidente, que cumpre visita oficial no Japão.
Lula disse ainda ser “visível” que Bolsonaro tentou contribuir para um plano de assassinato contra ele. O esquema, que também ameaçava o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou que o ex-presidente “sabia e concordou” com as mortes para permanecer no poder depois de perder as eleições de 2022.
"Não é o homem Bolsonaro que está sendo julgado, é um golpe de Estado que está sendo julgado. Não adianta ficar pedindo anistia antes do julgamento. Quando ele pede anistia, ele está dizendo que foi culpado", disse Lula. "Ao invés de chorar, caia na realidade e saiba que você cometeu um atentado contra a soberania desse país", finalizou o presidente.
Réu por tentativa de golpe
Jair Bolsonaro e sete aliados viraram réus por tentativa de golpe de Estado. A decisão foi tomada pela Primeira Turma do STF, que aceitou, de forma unânime, a denúncia de mais de 300 páginas da PGR. Todos do grupo são acusados de cinco crimes, cujas penas, somadas, passam de 30 anos de prisão. São eles:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano contra o patrimônio da União;
- Deterioração de patrimônio tombado.
Agora, o STF dará início à fase de instrução do caso, com o recolhimento de provas e de depoimentos. Ao final desta etapa, a Corte marcará um julgamento para analisar o caso, decidindo se os réus serão condenados ou absolvidos das acusações.
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A decisão foi criticada por Bolsonaro, que disse que as acusações são infundadas. Na declaração, o ex-presidente voltou a falar que sua defesa não teve acesso total à delação premiada do seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, e proferiu novos ataques ao ministro Alexandre de Morais. Para ele, a decisão do STF “deve ser pessoal”.