Política

Dupla Fla-Flu critica quebra de contratos com veto a bets

Clubes disseram que proibição atrapalha planejamento financeiro e abre espaço para mercado clandestino; governo Lula baniu apostas esportivas

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Escudos de Flamengo e Fluminense | Reprodução

Escudos de Flamengo e Fluminense | Reprodução

Rivais dentro de campo, mas parceiros na administração do Maracanã, Flamengo e Fluminense voltaram a se manifestar nesta sexta-feira (25) contra o fim das bets pouco horas antes de o governo Lula (PT) anunciar a proibição completa das apostas e jogos online no Brasil.

O rubro-negro é patrocinado pela Betano, com contrato estimado em R$ 268 milhões por ano, enquanto o tricolor tem parceria com a Superbet e recebe R$ 53 milhões por temporada.

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Em mensagens publicadas nas redes sociais, os clubes alegaram que a proibição repentina abala o planejamento financeiro do futebol brasileiro, cria insegurança jurídica com a quebra de contratos, não abre uma janela de tempo para adaptação e dá espaço para uma expansão do mercado clandestino de bets.

Um exemplo dado pelo Fluminense é a dificuldade na coleta de uniformes distribuídos em lojas pelo Brasil com a logomarca da Betano, em que há estoque de seis meses antes da próxima reposição. “Uma mudança abrupta gera prejuízos e pode custar milhares de empregos em toda a cadeia", diz a nota.

Já o Flamengo argumentou que havia espaço para endurecer as regras dentro da regulação vigente sem aboli-las repentinamente. “Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório", criticou.

Os demais clubes dos chamados doze grandes não se manifestaram até a publicação deste texto.

No início da semana, quando o governo começou a admitir a possibilidade do veto total, times como Corinthians, Cruzeiro, Botafogo, São Paulo, Palmeiras, Atlético-MG e Vasco também se juntaram ao manifesto. As publicações foram criticadas por torcedores, que alegaram conivência com as empresas e com o endividamento dos apostadores.

Como mostrou a Coluna do Túlio, o diálogo do governo com os clubes para contornar a questão deve ficar para depois do período eleitoral. A ideia é avaliar formas de compensar parte da perda de receitas provocada pelo encerramento dos contratos de patrocínio com as empresas de apostas.

Bets fazem alerta

Em nota, a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e o IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) disseram que 31 milhões de apostadores serão empurrados para o mercado ilegal com a proibição. As entidades também disseram que há risco de perda de arrecadação de R$ 73 bilhões de 2027 a 2030.

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