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Bets notificam clubes e avaliam contratos após proibição

Betano, Sportingbet e Superbet notificaram equipes sobre possíveis mudanças nos acordos; governo estuda linha de crédito para reduzir o impacto

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Antonio Souza
Foto: Agência Brasil

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Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro começaram a alertar as equipes sobre a possibilidade de suspender ou rescindir contratos, diante da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (25).

A MP prevê a proibição de apostas esportivas e jogos on-line no país. Os apostadores poderão retirar os saldos disponíveis nas plataformas até 5 de outubro.

Segundo apurou o SBT News, três das principais casas de apostas, Betano, Sportingbet e Superbet, notificaram clubes sobre possíveis mudanças nos acordos.

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Entre os clubes estão São Paulo (Superbet), Flamengo (Betano), Palmeiras (Sportingbet), Vasco (Sportingbet) e Fluminense (Superbet). As conversas envolvem negociações ou encerramentos, mas não há confirmação de que algum contrato já tenha sido oficialmente rompido.

Em contato com o SBT News, o São Paulo afirmou não ter conhecimento do assunto e disse que não irá se pronunciar no momento. O Palmeiras afirmou que os contratos de patrocínio do clube são sigilosos e também não se manifestou.

O Flamengo, o Vasco e o Fluminense foram procurados pelo SBT News, mas ainda não responderam. O espaço segue aberto.

Bets dominam patrocínios e movimentam R$ 1 bilhão no Brasileirão

No Campeonato Brasileiro, 14 dos 20 clubes são patrocinados por empresas do setor de apostas, o que representa 70% das equipes da elite do futebol nacional. Somados, os valores de todos os contratos ultrapassam R$ 1 bilhão em investimentos do setor.

Um estudo produzido pela empresa LCA Consulting, em parceria com as duas principais associações do setor de apostas, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), mostra que, até 2017, os patrocínios dos clubes brasileiros eram dominados por empresas estatais, que respondiam por 80% do total. Esse número caiu para 70% em 2018 e para irrisórios 10% em 2019.

Desde então, esse cenário começou a mudar por dois motivos. A partir de 2018, as apostas on-line foram legalizadas no Brasil pelo governo do então presidente Michel Temer, o que fez com que esse segmento começasse a ganhar espaço.

Entre 2020 e 2021, a crise econômica tomou conta do país em razão da pandemia de covid-19, levando muitas empresas a romper parcerias com clubes e entidades. Nesses anos, 30% das equipes estavam sem patrocinador máster, enquanto 25% tinham parcerias com empresas de apostas.

O aumento foi gradual. Em 2022, 50% dos times tinham parcerias com empresas de apostas; em 2023, eram 60%; e, em 2024, 70%. Nesta temporada, o percentual chegou a 100%, justamente no ano em que o setor foi regularizado. Além disso, pela primeira vez no período analisado, não há nenhum clube da elite nacional com patrocinador máster estatal.

Ainda de acordo com o estudo da LCA Consulting, os valores dos patrocínios nos times da Série A subiram quase dez vezes nos últimos sete anos, desde a legalização do mercado. Em 2018, eles somavam R$ 295 milhões; neste ano, chegaram a mais de R$ 1,1 bilhão, superando o valor corrigido pela inflação no período, de R$ 700 milhões.

Valores anuais estimados dos patrocínios:

  • Flamengo (Betano): R$ 268,5 milhões
  • Corinthians (Esportes da Sorte): R$ 150 milhões por ano, podendo chegar a R$ 200 milhões anuais com bônus por metas esportivas
  • Palmeiras (SportingBet): R$ 100 milhões por ano, podendo chegar a R$ 170 milhões anuais com bônus e metas
  • São Paulo (Superbet): R$ 90 milhões por ano, podendo chegar a R$ 115 milhões anuais com bônus e metas
  • Atlético (H2Bet): R$ 60 milhões por ano
  • Fluminense (Superbet): R$ 58 milhões por ano, podendo chegar a R$ 86 milhões anuais com bônus e metas
  • Vasco (Sportingbet): R$ 50 milhões fixos até o final da temporada, podendo chegar a R$ 100 milhões anuais com bônus e metas
  • Botafogo (Vbet): R$ 55 milhões
  • Cruzeiro (Betnacional): R$ 50 milhões por ano
  • Grêmio (Pitaco): R$ 45 milhões por ano
  • Santos (Novibet): R$ 35 milhões por ano, podendo chegar a R$ 50 milhões anuais com bônus e metas
  • Vitória (7K Bet): R$ 20 milhões por ano
  • Remo (Vaidebet): R$ 12 milhões por ano
  • Chapecoense (ZeroUm): R$ 10 milhões por ano

Qual será o impacto para as clubes?

A consequência para cada clube dependerá das cláusulas específicas dos contratos, afirma Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias e sócio do escritório Betlaw.

“Vai depender da natureza de cada contrato, mas, em princípio, diante de uma alteração regulatória relevante que suspenda a operação, as empresas deverão comunicar formalmente os clubes e demais parceiros sobre a suspensão dos contratos durante o período de impedimento”, disse.

Segundo o advogado, uma mudança regulatória que interrompa a atividade pode afetar contratos firmados sob as regras anteriores e gerar disputas sobre obrigações, pagamentos e compensações.

Lula deve se reunir com clubes após eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende se reunir com dirigentes de clubes de futebol após as eleições para discutir medidas que possam reduzir o impacto financeiro provocado pelo fim das bets no Brasil.

Uma das alternativas em estudo é a criação de uma linha de crédito com juros mais baixos para os clubes. Também está em discussão a possibilidade de renegociação ou extensão do prazo para pagamento de dívidas das equipes com a União e bancos públicos. O BNDES pode participar do programa.

A proposta vem sendo discutida com a participação da CBF e de dirigentes de clubes. Ainda não estão definidos o valor dos recursos, os critérios para acesso ao crédito nem o formato final do programa.

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