Economia

Nenhum setor substitui as bets no futebol, diz especialista

Ao SBT News, Fábio Wolff afirmou que proibição de casas de apostas geraria rombo financeiro nos clubes e alimentaria o mercado clandestino

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Fotos: Divulgação/Palmeiras/Corinthians

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O futebol brasileiro não tem hoje um setor capaz de substituir o dinheiro das casas de apostas em patrocínios de clubes, segundo o especialista em marketing esportivo e sócio-diretor da Wolff Sports, Fábio Wolff. Em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News, nesta sexta-feira (25), ele afirmou que a proibição das bets teria grande impacto nas receitas dos times.

O governo Lula (PT) anuncia nesta sexta-feira (25) uma Medida Provisória que veta a atuação de bets no Brasil.

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Wolff comentou os possíveis efeitos de uma MP do tipo e disse que dirigentes de clubes já demonstram preocupação com a possibilidade de perder esses patrocinadores.

“Nenhum segmento, em nenhuma época da história do patrocínio esportivo no futebol brasileiro, colocou tanto dinheiro como as casas de apostas o fizeram agora. Eu recebi hoje a ligação de alguns clubes perguntando qual cliente eventualmente poderia substituir a casa de apostas, caso a MP passe a valer. Eu disse: nenhum. Porque não tem, essa é a grande verdade”, declarou.

Segundo o especialista, existem poucas alternativas no mercado nacional para substituir os valores pagos atualmente pelas casas de apostas. Para ele, contratos com multinacionais em dólar ou euro poderiam ser uma opção para alguns clubes com maior estrutura comercial e projeção internacional, mas seriam casos isolados.

“Pode ser que um ou outro clube que tenha feito um trabalho melhor estruturado, com um departamento comercial forte e projeção internacional, venha a fechar contratos em dólar ou euro com multinacionais. Mas isso vai ser a exceção”, ponderou.

Wolff também criticou uma eventual proibição indiscriminada das empresas de apostas. Na avaliação dele, as discussões sobre a regulamentação do setor deveriam envolver governo, empresas e representantes do mercado. O especialista afirmou que impedir o funcionamento das empresas legalizadas poderia fortalecer o mercado ilegal de apostas.

“A medida vai tentar proibir um mercado que possui uma das organizações mais vigorosas do mundo. O que vai acontecer é que o mercado ilegal, que já responde por 40% a 50% do volume de apostas na contravenção, vai voltar com tudo. E aí, sem pagar imposto e sem qualquer tipo de controle. Proibir não é a solução”, alertou.

Ao final, o executivo também destacou os impactos econômicos do setor e a quantidade de empregos ligados ao mercado de apostas esportivas.

“Mercadologicamente, pode ser um movimento ou uma fala que faça efeito [para a opinião pública], mas na prática só vai piorar. É um mercado que pode ter os seus problemas, mas é um segmento que hoje emprega muita gente”, concluiu.

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