Política

Crise no STF "vai respingar" nas eleições", admite Lula

Presidente disse que campanha à reeleição quer mostrar ao eleitorado que "essa corrupção aconteceu no governo Bolsonaro"

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Felipe Moraes
Presidente Lula (PT) em discurso no Planalto | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT) em discurso no Planalto | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nesta sexta-feira (18) que a crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do caso do Banco Master "vai respingar na reta final" das eleições de outubro.

Em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, onde cumpre hoje agendas relacionadas à segurança pública, o mandatário disse que a campanha quer mostrar à população que a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem responsabilidade na suposta falta de fiscalização da instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

"Queremos mostrar quem é o culpado disso. Chama-se Bolsonaro. Esse banco não existia. Foi criado pelo Banco Central no governo Bolsonaro. Essa corrupção aconteceu no governo Bolsonaro. Estamos investigando com muita paciência. Se fizer muita pirotecnia antes de apurar, faz denúncia e não apura nada", opinou, apontando que o ex-executivo "virou banqueiro no governo Bolsonaro e prisioneiro no meu".
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O petista reconheceu que a situação do STF "obviamente me preocupa" e reiterou que a Corte precisa passar por mudanças institucionais num futuro próximo, não sem antes esclarecer à sociedade os supostos vínculos de ministros com Vorcaro.

"Vamos ter que discutir como consertar isso, como a gente vai consertar a Suprema Corte. Precisa ter uma reforma no poder Judiciário, mas antes temos que resolver esse problema. São cinco ministros ligados direta ou indiretamente", completou.

O mandatário reforçou que "ninguém está defendendo" o contrato da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, com o Master ou as relações financeiras de Dias Toffoli e familiares dele com o ex-banqueiro por meio de fundos de investimento e o resort Tayayá.

"O que nós estamos defendendo é que quem quiser ir pra Suprema Corte não pode querer ser rico. Ali é um sacerdócio. As pessoas precisam saber que ali é a instância mais sublime, forte do nosso país. Quando decide, ninguém pode fazer mais nada. É [uma instituição] séria, tem que ter muita ética. Isso tudo tá apodrecendo", lamentou.

O presidente declarou que, após a retirada de sigilos, "tudo isso tá ficando nu aos olhos da sociedade", mas criticou a atuação do relator de inquéritos relacionados ao Master, André Mendonça.

"O que é grave é que ainda não saiu tudo. Mendonça tinha muitas informações na mão dele que ele segurou. Acho que os ministros tudo já têm [dados do celular de Vorcaro] e parte da imprensa. Agora, é só mostrar informações. Tem muita gente da República com medo. Era orgia e mais orgia. É uma sacanagem impensável pra um cidadão comum acreditar que as pessoas responsáveis por zelar por esse país faziam aquilo", falou.

Sem citar o nome do ministro Kassio Nunes Marques, que se declarou inicialmente impedido de analisar o relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens de Vorcaro a Moraes, Lula fez referência a notícias publicadas na imprensa "sobre um cidadão que teve com uma mulher que custou R$ 10 mil e não pagou, mandou banco pagar". "Só faltou entrar no Desenrola pra pagar a dívida."

Baseadas em conversas obtidas no celular de Vorcaro, reportagens indicam que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria tido um encontro com uma acompanhante pago pelo ex-dono do Master.

"Essa baixaria é que tem que acabar na política. Como defensor das instituições, não há democracia se não tiver instituição séria. Vamos ter que rediscutir o papel da instituições", acrescentou.

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