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Brasileiro ajudou a achar espécie de gato, a 1ª em 100 anos

Felino encontrado na Bolívia foi identificado por análise de DNA; descoberta também pode mudar a avaliação sobre o risco de extinção

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Caroline Vale
Brasileiro ajuda a identificar nova espécie de gato. | Paola Nogales-Ascarrunz via PUCRS

Brasileiro ajuda a identificar nova espécie de gato. | Paola Nogales-Ascarrunz via PUCRS

Um pequeno felino encontrado nas florestas de Yungas, na Bolívia, foi identificado como uma nova espécie. A descoberta é a primeira descrição formal de uma nova espécie viva de felino em mais de 100 anos. A equipe de pesquisadores que identificou a espécie foi liderada por um professor brasileiro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

O animal é conhecido pelas comunidades locais como Tigrino e recebeu o nome científico Leopardus tilcayo. Além da nova espécie boliviana, o estudo identificou uma nova subespécie de felino na região de Yungas, no Peru, denominada Leopardus tigrinus antisuyo.

Embora vivam em regiões próximas, os dois novos felinos não são parentes próximos e são de linhagens evolutivas diferentes. Ambos pertencem árvore genealógica de gatos-tigres sul-americanos.

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A identificação foi feita por meio de análises genéticas. Entre os autores do estudo está o brasileiro Eduardo Eizirik, biólogo evolucionista da PUCRS. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (17) na revista científica Current Biology.

Os pesquisadores estudaram o DNA de 38 gatos-tigre de diferentes países, incluindo oito animais preservados em museus. O trabalho mostrou que o grupo, antes considerado uma única espécie, é formado por cinco espécies geneticamente diferentes. "A semelhança visual levou à confusão entre diferentes espécies, que foram classificadas como uma só durante muito tempo", disse o brasileiro, que é autor sênior do estudo.

“Este estudo destaca o quanto ainda há para descobrir sobre a biodiversidade do planeta, mesmo entre animais carismáticos e conhecidos como os felinos”, afirmou.

Como os pesquisadores descobriram?

O Tigrino chamou a atenção porque suas características não correspondiam às descrições conhecidas de gatos-tigre. A maior parte dessas descrições era baseada em animais encontrados no Brasil.

“Isso nos fez questionar: que tipo de gato-tigre temos, na verdade, na Bolívia?”, disse Paola Nogales-Ascarrunz, uma das autoras do estudo.

Os pesquisadores descobriram que a linhagem do Tigrino está separada das outras há cerca de 1,4 milhão de anos. Essa diferença genética foi suficiente para classificá-lo como uma espécie própria. Os gatos-tigre são chamados de espécies crípticas porque são muito parecidos entre si e nem sempre podem ser diferenciados apenas pela aparência.

O Tigrino mede cerca de 46 centímetros e pesa aproximadamente 1,4 quilo, menos que um gato doméstico médio. Sua pelagem é marrom-clara, com manchas em formato de rosetas.

Nova espécie de gato é identificada na Bolívia. | Julie Van Collie via PUCRS
Nova espécie de gato é identificada na Bolívia. | Julie Van Collie via PUCRS

Ainda há poucas informações sobre o comportamento do animal. Imagens de câmeras sugerem que o felino é mais ativo durante a noite.

Um dos animais vivos estudados é um macho de 10 anos. Ele vive atualmente no santuário La Senda Verde, depois de ter sido criado por uma família local em 2016.

Nova espécie pode estar ameaçada

A descoberta também pode mudar a forma como o risco de extinção dos gatos-tigre é avaliado. Atualmente, a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) considera os gatos-tigre como duas espécies vulneráveis, com populações em queda. Os pesquisadores enviaram os novos dados à organização, que poderá analisar separadamente as cinco espécies identificadas.

Isso pode revelar um risco maior para algumas delas. O Tigrino, por exemplo, poderá ser classificado como ameaçado quando sua população for avaliada individualmente.

A preocupação é maior porque os Yungas, onde o animal foi encontrado, estão entre os ecossistemas mais ameaçados da região. A área sofre com desmatamento, expansão agrícola, incêndios provocados por atividades humanas e mineração.

“Espécies podem permanecer desconhecidas por séculos. Descobrir e compreender essas espécies é vital para que também saibamos como protegê-las", destacou Eduardo Eizirik.

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