Brasileiro ajudou a achar espécie de gato, a 1ª em 100 anos
Felino encontrado na Bolívia foi identificado por análise de DNA; descoberta também pode mudar a avaliação sobre o risco de extinção
Caroline Vale
Brasileiro ajuda a identificar nova espécie de gato. | Paola Nogales-Ascarrunz via PUCRS
Um pequeno felino encontrado nas florestas de Yungas, na Bolívia, foi identificado como uma nova espécie. A descoberta é a primeira descrição formal de umanova espécie viva de felino em mais de 100 anos. A equipe de pesquisadores que identificou a espécie foi liderada por um professor brasileiro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
O animal é conhecido pelas comunidades locais como Tigrino e recebeu o nome científico Leopardus tilcayo. Além da nova espécie boliviana, o estudo identificou uma nova subespécie de felino na região de Yungas, no Peru, denominada Leopardus tigrinus antisuyo.
Embora vivam em regiões próximas, os dois novos felinos não são parentes próximos e são de linhagens evolutivas diferentes. Ambos pertencem árvore genealógica de gatos-tigres sul-americanos.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.
A identificação foi feita por meio de análises genéticas. Entre os autores do estudo está o brasileiro Eduardo Eizirik, biólogo evolucionista da PUCRS. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (17) na revista científica Current Biology.
Os pesquisadores estudaram o DNA de 38 gatos-tigre de diferentes países, incluindo oito animais preservados em museus. O trabalho mostrou que o grupo, antes considerado uma única espécie, é formado por cinco espécies geneticamente diferentes. "A semelhança visual levou à confusão entre diferentes espécies, que foram classificadas como uma só durante muito tempo", disse o brasileiro, que é autor sênior do estudo.
“Este estudo destaca o quanto ainda há para descobrir sobre a biodiversidade do planeta, mesmo entre animais carismáticos e conhecidos como os felinos”, afirmou.
Como os pesquisadores descobriram?
O Tigrino chamou a atenção porque suas características não correspondiam às descrições conhecidas de gatos-tigre. A maior parte dessas descrições era baseada em animais encontrados no Brasil.
“Isso nos fez questionar: que tipo de gato-tigre temos, na verdade, na Bolívia?”, disse Paola Nogales-Ascarrunz, uma das autoras do estudo.
Os pesquisadores descobriram que a linhagem do Tigrino está separada das outras há cerca de 1,4 milhão de anos. Essa diferença genética foi suficiente para classificá-lo como uma espécie própria. Os gatos-tigre são chamados de espécies crípticas porque são muito parecidos entre si e nem sempre podem ser diferenciados apenas pela aparência.
O Tigrino mede cerca de 46 centímetros e pesa aproximadamente 1,4 quilo, menos que um gato doméstico médio. Sua pelagem é marrom-clara, com manchas em formato de rosetas.
Nova espécie de gato é identificada na Bolívia. | Julie Van Collie via PUCRS
Ainda há poucas informações sobre o comportamento do animal. Imagens de câmeras sugerem que o felino é mais ativo durante a noite.
Um dos animais vivos estudados é um macho de 10 anos. Ele vive atualmente no santuário La Senda Verde, depois de ter sido criado por uma família local em 2016.
A descoberta também pode mudar a forma como o risco de extinção dos gatos-tigre é avaliado. Atualmente, a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) considera os gatos-tigre como duas espécies vulneráveis, com populações em queda. Os pesquisadores enviaram os novos dados à organização, que poderá analisar separadamente as cinco espécies identificadas.
Isso pode revelar um risco maior para algumas delas. O Tigrino, por exemplo, poderá ser classificado como ameaçado quando sua população for avaliada individualmente.
A preocupação é maior porque os Yungas, onde o animal foi encontrado, estão entre os ecossistemas mais ameaçados da região. A área sofre com desmatamento, expansão agrícola, incêndios provocados por atividades humanas e mineração.
“Espécies podem permanecer desconhecidas por séculos. Descobrir e compreender essas espécies é vital para que também saibamos como protegê-las", destacou Eduardo Eizirik.
Brasileiro ajudou a achar espécie de gato, a 1ª em 100 anosFelino encontrado na Bolívia foi identificado por análise de DNA; descoberta também pode mudar a avaliação sobre o risco de extinçãoMundo2026-09-18T15:43:51.609ZUm pequeno felino encontrado nas florestas de Yungas, na Bolívia, foi identificado como uma nova espécie. A descoberta é a primeira descrição formal de uma nova espécie viva de felino em mais de 100 anos. A equipe de pesquisadores que identificou a espécie foi liderada por um professor brasileiro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O animal é conhecido pelas comunidades locais como Tigrino e recebeu o nome científico Leopardus tilcayo. Além da nova espécie boliviana, o estudo identificou uma nova subespécie de felino na região de Yungas, no Peru, denominada Leopardus tigrinus antisuyo. Embora vivam em regiões próximas, os dois novos felinos não são parentes próximos e são de linhagens evolutivas diferentes. Ambos pertencem árvore genealógica de gatos-tigres sul-americanos. A identificação foi feita por meio de análises genéticas. Entre os autores do estudo está o brasileiro Eduardo Eizirik, biólogo evolucionista da PUCRS. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (17) na revista científica Current Biology. Os pesquisadores estudaram o DNA de 38 gatos-tigre de diferentes países, incluindo oito animais preservados em museus. O trabalho mostrou que o grupo, antes considerado uma única espécie, é formado por cinco espécies geneticamente diferentes. "A semelhança visual levou à confusão entre diferentes espécies, que foram classificadas como uma só durante muito tempo", disse o brasileiro, que é autor sênior do estudo. “Este estudo destaca o quanto ainda há para descobrir sobre a biodiversidade do planeta, mesmo entre animais carismáticos e conhecidos como os felinos”, afirmou. Como os pesquisadores descobriram? O Tigrino chamou a atenção porque suas características não correspondiam às descrições conhecidas de gatos-tigre. A maior parte dessas descrições era baseada em animais encontrados no Brasil. “Isso nos fez questionar: que tipo de gato-tigre temos, na verdade, na Bolívia?”, disse Paola Nogales-Ascarrunz, uma das autoras do estudo. Os pesquisadores descobriram que a linhagem do Tigrino está separada das outras há cerca de 1,4 milhão de anos. Essa diferença genética foi suficiente para classificá-lo como uma espécie própria. Os gatos-tigre são chamados de espécies crípticas porque são muito parecidos entre si e nem sempre podem ser diferenciados apenas pela aparência. O Tigrino mede cerca de 46 centímetros e pesa aproximadamente 1,4 quilo, menos que um gato doméstico médio. Sua pelagem é marrom-clara, com manchas em formato de rosetas. Ainda há poucas informações sobre o comportamento do animal. Imagens de câmeras sugerem que o felino é mais ativo durante a noite. Um dos animais vivos estudados é um macho de 10 anos. Ele vive atualmente no santuário La Senda Verde, depois de ter sido criado por uma família local em 2016. Nova espécie pode estar ameaçada A descoberta também pode mudar a forma como o risco de extinção dos gatos-tigre é avaliado. Atualmente, a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) considera os gatos-tigre como duas espécies vulneráveis, com populações em queda. Os pesquisadores enviaram os novos dados à organização, que poderá analisar separadamente as cinco espécies identificadas. Isso pode revelar um risco maior para algumas delas. O Tigrino, por exemplo, poderá ser classificado como ameaçado quando sua população for avaliada individualmente. A preocupação é maior porque os Yungas, onde o animal foi encontrado, estão entre os ecossistemas mais ameaçados da região. A área sofre com desmatamento, expansão agrícola, incêndios provocados por atividades humanas e mineração. “Espécies podem permanecer desconhecidas por séculos. Descobrir e compreender essas espécies é vital para que também saibamos como protegê-las", destacou Eduardo Eizirik. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/brasileiro-ajudou-a-achar-especie-de-gato-a-1-em-100-anos
Henrique Vorcaro informou apresentar "sintomas de possível crise de diverticulite"; Gonet recomendou manter prisão preventiva de membro do grupo "Os Meninos"