CPMI do INSS faz acordo e evita quebra de sigilo do Master e de aliados de Lula e Bolsonaro
Comissão avalia que seria necessário restringir as investigações relativas ao banco de Daniel Vorcaro para evitar questionamentos jurídicos


Marcela Mattos
Em acordo firmado entre os líderes partidários, a CPMI do INSS não votou nesta quinta-feira (5) uma série de requerimentos que envolviam sócios do Banco Master, ex-ministros de Jair Bolsonaro e pessoas próximas ao presidente Lula.
Ao anunciar a retirada de pauta desses itens, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a medida foi motivada por um “consenso” entre os membros do colegiado. Segundo ele, os requerimentos relativos a familiares do presidente Lula serão votados “na primeira oportunidade”.
Em relação ao Master, foi retirado de pauta um requerimento que quebrava o sigilo do banco nos últimos 10 anos. Viana explicou que o pedido será refeito para restringir a quebra somente aos créditos consignados, foco da investigação, com o objetivo de evitar nulidades em decorrência da ampliação do escopo da apuração.
Também saíram da pauta os requerimentos relacionados a Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Um deles pedia acesso ao depoimento de um ex-sócio de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, que teria relatado à Polícia Federal um pagamento mensal de 300 mil reais ao filho do presidente Lula.
A quebra do sigilo da empresa de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e apontada como intermediária dos repasses, também foi rejeitada. Nesta quinta, o presidente relatou ter tido uma conversa com o filho sobre as investigações.
Os itens que pediam as quebras de sigilo de Onyx Lorenzoni, ex-ministro do Trabalho e Previdência de Jair Bolsonaro, e do filho dele também caíram, bem como o que pedia a prisão preventiva de José Carlos de Oliveira, que ocupou o mesmo posto na gestão passada.
Também não foi votado o pedido de quebra de sigilo de Enrique Lewandowski, filho do ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O escritório de advocacia da família firmou um contrato milionário com o Master.
Foram aprovados, por outro lado, as quebras de sigilo de associações e empresas e também de Adroaldo Portal, ex-secretário executivo do Ministério da Previdência que foi alvo de operação da Polícia Federal no fim do ano passado.









