Ciro Nogueira nega que Emenda Master ficou igual à proposta por Vorcaro e diz que vai representá-la
Senador, que foi alvo de operação da PF, publicou vídeo em suas redes se defendendo e disse ser alvo de perseguição às vésperas da eleição

Ighor Nóbrega
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) publicou nesta terça-feira (12) um vídeo em suas redes sociais se defendendo das investigações sobre o suposto recebimento de propina para favorecer o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ciro disse que nunca cometeu irregularidades, seja neste ou em outros casos, Segundo o presidente do PP, a investigação contra si é uma “perseguição” perpetrada para prejudicá-lo em ano eleitoral – o senador é pré-candidato à reeleição no Piauí.
O parlamentar também negou que tenha usado uma empresa da família para ocultar repasses mensais de Vorcaro e que tenha apresentado a emenda Master conforme foi recebida pela instituição.
A emenda foi apresentada em 2024 para elevar o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil a R$ 1 milhão por cliente, o que beneficiaria bancos médios como o Master. Segundo a investigação da PF, Ciro Nogueira reproduziu o texto da emenda "de forma integral".
Ao rechaçar a acusação, Ciro disse que vai reapresentar a emenda. A intenção é provar que ela não tem relação com o banco de Vorcaro, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
“Diante disso, eu tomei a decisão de reapresentar agora a emenda corrigindo o valor do FGC, que pela Selic deveria estar acima de 840 mil reais. Agora não existe mais Banco Master. Eu quero ver qual é a desculpa que os grandes bancos vão utilizar para negar esta proteção aos correntistas brasileiros”, declarou Ciro no vídeo.
Ainda segundo Ciro, todos os políticos já sofreram acusações. Ele disse que já foi alvo de outras investigações, mas que nada foi comprovado contra ele.
“Tudo que eu quero é que a polícia investigue, investigue com isenção e que o Judiciário julgue da mesma forma. Mas eu confesso que tem uma coisa que me causou muita estranheza. Por que começar esta operação por um líder da oposição?”, questionou o senador, que é aliado de Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência.
No vídeo de mais de seis minutos e meio, Ciro não citou o nome de Daniel Vorcaro ou comentou a relação que mantinha com o banqueiro. De acordo com a PF, o parlamentar recebia uma “mesada” de R$ 300 mil de Vorcaro em troca de vantagens indevidas.
O advogado Kakay, que representava a defesa do senador, admitiu em entrevista ao SBT News que o político teve despesas pagas em viagens por Vorcaro, o que, segundo ele, seria “comum”. Também afirmou que o senador e o banqueiro mantinham uma “relação natural”.
O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, de Kakay, deixou a defesa de Ciro Nogueira no caso do Master na segunda-feira (11). A decisão teria sido tomada em “comum acordo”, segundo nota do escritório.
O presidente do PP informou ontem ao SBT News que escolheu o advogado criminalista Conrado Gontijo para defendê-lo no Caso Master. Ele é considerado bastante próximo de Kakay.









