Política

Campanha de Flávio Bolsonaro tem apoio militar mais discreto

Segundo militares ouvidos pelo SBT News, o cenário político e jurídico após o 8 de janeiro aumentou a cautela de militares da ativa e da reserva na eleição

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Vicklin Moraes
Flávio Bolsonaro em Formatura Geral do Curso de Formação de Praças da PMERJ | Foto: Vittor Sales

Flávio Bolsonaro em Formatura Geral do Curso de Formação de Praças da PMERJ | Foto: Vittor Sales

A presença de militares nas campanhas ligadas a Jair Bolsonaro (PL) foi marcante nas últimas eleições, mas aparece de forma mais discreta na campanha do filho "01", o presidenciável Flávio Bolsonaro. A quatro dias do primeiro turno, militares da ativa e da reserva adotaram uma postura mais cautelosa na disputa.

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A mudança não significa, necessariamente, um afastamento ideológico do bolsonarismo. Segundo um ex-integrante do primeiro escalão do governo Bolsonaro, que também é militar, a diferença está na falta de identificação de Flávio com a carreira militar, já que Jair Bolsonaro foi capitão do Exército, além do cenário político e jurídico dos últimos anos.

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"O Flávio é um civil. Ele conviveu com o pai e tudo isso, mas a vida dele, de político, é a vida de um civil. Não tem nenhum vínculo com a carreira militar. Além disso, a conjuntura desses últimos dois ou três anos recomenda um pouco mais de cautela ao nosso pessoal, que deve ficar mais voltado para as suas missões constitucionais: garantia da pátria, dever constitucional, da lei e da ordem. Ficar retido nisso, mas focado nesses princípios e valores. E também não temos tanta gente concorrendo a cargos eletivos", avaliou a fonte, sob reserva.
Jair Bolsonaro e os militares | Foto: Marcos Corrêa
Jair Bolsonaro e os militares | Foto: Marcos Corrêa

O fantasma do 8 de janeiro e a cautela

As investigações e condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 também mudaram a forma como parte dos militares se manifesta politicamente.

Para o coronel e vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo, aliado do bolsonarismo, o apoio da base militar a Flávio continua, mas o cenário atual aumentou a cautela entre os apoiadores.

"O 8 de janeiro ainda carrega medo a toda a população pela injustiça feita, da forma como foi feita, e isso, logicamente, reflete também nas manifestações. Infelizmente, vejo que as pessoas têm medo de se manifestar; vivemos sob insegurança jurídica. A sociedade, e aí incluo os militares que fazem parte deste contexto, hoje mede até o que escreve nos grupos de WhatsApp, ou literalmente o que pensa. O pensamento, quando escrito, parece que virou crime", afirmou Mello Araújo.

A campanha de Flávio Bolsonaro tenta manter a aproximação com o eleitorado conservador, mas sem a mesma exposição de militares vista nas campanhas de Jair Bolsonaro.

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