Política

Avanço nas negociações entre Lula e Trump dependerá do “apetite” dos EUA, diz especialista

Para Vito Villar, a redução total da tarifa de 40% é pouco provável, mas há espaço para que mais produtos entrem na lista de exceções

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SBT News
27/10/2025, 21:44 • Atualizado em 27/10/2025, 22:48
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O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump sinaliza um avanço na relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, mas o desenrolar das negociações dependerá mais da postura norte-americana do que do governo brasileiro. A avaliação é de Vito Villar, especialista em comércio exterior e coordenador de Comércio e Política Internacional da BMJ.

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Em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News, nesta segunda-feira (27), Villar afirmou que o clima entre os dois países vem melhorando desde o breve encontro entre Lula e Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Essa sensação de que as negociações estão andando de uma forma até mesmo diligente é algo que o governo brasileiro estava procurando há algum tempo já”, afirmou.

Segundo o especialista, ainda que a reunião não tenha resultado imediato sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros, o sinal é encorajador. Para ele, há expectativa de que alguns itens sejam retirados da taxação de 40% aplicada pelos Estados Unidos, o que já representaria um avanço concreto.

“Acho um pouco inviável que a tarifa de 40% seja reduzida como um todo, [...], entretanto, acho muito viável que alguns produtos sejam incluídos na lista de exceção dos Estados Unidos”, disse.

Villar explicou que o Brasil levou a Washington um plano com demandas bem definidas, como a retirada das tarifas, a abertura comercial e o fim das sanções da Lei Magnitsky. No entanto, ressaltou que o próximo passo está nas mãos dos norte-americanos, que precisarão avaliar internamente se têm interesse em atender às reivindicações brasileiras.

Ele ponderou que a negociação pode se estender, a depender da estratégia de Trump, que tende a prolongar conversas para obter ganhos políticos domésticos.

“Depende do quanto Trump vai querer cozinhar a negociação e capitalizar em cima de seu adversário. A gente sabe como ele gosta de se colocar por cima, como se não tivesse pedindo nada, mas tivesse conquistando algo, e [gosta de] voltar isso para seu público interno, mostrar como se ele tivesse vencido uma negociação muito dura”, afirmou.

O especialista também lembrou que o presidente norte-americano adotou uma atitude semelhante em tratativas com a União Europeia e o Reino Unido, estendendo o processo até alcançar o cenário mais vantajoso para os EUA.

Apesar disso, Villar avaliou que “há muito espaço para debate, negociação e concessão” em relação aos 40% aplicados sobre produtos brasileiros e mencionou temas que os EUA têm interesse “em saber como está a arquitetura política e econômica do Brasil”.

“Os Estados Unidos têm algumas prioridades no Brasil e isso foi colocado pelo próprio Jamieson Greer, representante de comércio dos EUA. Alguns pontos que posso mencionar são a industrial do etanol, segurança jurídica para big techs e desmatamento”, afirmou.

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