Zema quer lista tríplice no STF e chama Trump de ‘fanfarrão’
Candidato do Novo prometeu reforma do Judiciário, voltar a falar em impeachment de ministros e sugeriu retaliação aos EUA por tarifaços
Victor Schneider
Romeu Zema em entrevista à GloboNews | Reprodução
O ex-governador Romeu Zema, candidato do Novo a presidente, prometeu nesta quinta-feira (6) adotar a consulta a uma lista tríplice para indicar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito.
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A prática é comum, embora não obrigatória, na escolha do procurador-geral da República (PGR), mas não é usada no caso do STF, em que o presidente indica um nome por livre escolha. Zema foi o segundo a participar de sabatina da GloboNews – na quarta (5), o convidado foi Renan Santos (Missão).
Embora sem mencionar nomes, Zema criticou indicações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo de seus três mandatos, como a dos ministros Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Flávio Dino. O primeiro representou a defesa de Lula durante os julgamentos da Lava Jato; o segundo advogou para o Partido dos Trabalhadores e assessorou juridicamente as campanhas de Lula de 1998 a 2006; e o terceiro foi ministro da Justiça no início do atual mandato lulista.
“Como governador de Minas, eu fiz o uso da lista tríplice. Chegaram para mim durante sete vezes, se não me engano, nomes excelentes, porque já tinham passado por uma triagem ou na OAB, ou no Ministério Público, ou no próprio Tribunal de Justiça. Agora, por que o presidente tem tanta liberdade para indicar o advogado dele, o advogado do PT, o ministro dele? Eu como presidente quero que chegue para mim uma lista de notáveis", afirmou.
O mote da campanha é de fortes críticas ao que considera serem desvios éticos da Justiça, sobretudo simbolizada em ministros da Corte. A questão é explorada através da série de vídeos “Os Intocáveis", em que Zema retrata magistrados como figuras corruptas e parciais para o lado de Lula. Os principais alvos são Toffoli, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes – este último moveu processo por calúnia contra o ex-governador.
Para corrigir a questão, Zema prometeu endereçar uma “reforma profunda no Judiciário" para capitalizar um “clima de indignação” que diz identificar na sociedade. Zema não detalhou como fará as mudanças, mas indicou que, mesmo respeitando a organização interna da Justiça, buscará esse apoio junto ao Congresso – um dos objetivos da oposição nesta eleição é ganhar maioria no Senado para viabilizar uma inédita abertura de impeachment contra magistrados.
“Estou confiante que teremos mudanças tanto no Senado quanto na Presidência, e que vai chegar o momento de nós mostrarmos para os brasileiros que eles tiveram, finalmente, a solução de um problema que é esse: ter um ministro que está lá para usar o cargo para enriquecimento, apesar de receber um dos salários mais altos do Brasil", criticou.
Trump: “Fanfarrão”
Questionado sobre as frentes de assédio dos Estados Unidos ao Brasil – como os tarifaços e a categorização do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas –, Zema atribuiu a culpa à escolha de Lula de “ficar quietinho” e não buscar contato para reverter as ações.
“A primeira coisa que eu teria feito como presidente era pegar um avião e ir lá pessoalmente para falar: vim aqui para resolver. Ele nunca fez isso, nunca", disse Zema.
Por outro lado, o candidato do Novo também deixou em aberto a possibilidade de aplicar medidas de reciprocidade contra o governo norte-americano. "Nós não vamos ser capachos dos Estados Unidos ou de ninguém”, frisou.
Até o momento, o Itamaraty optou por não retaliar – mesmo assim, a crise voltou a escalar a nível diplomático na terça (4) com a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, com os EUA alegando reciprocidade pela falta de aprovação de seu embaixador, Daniel Perez.
Zema ponderou que a relação que teria com a Casa Branca seria de cautela. O motivo é ver em Donald Trump um presidente “imprevisível” e “um tanto quanto fanfarrão".
“É uma pessoa que está causando turbulências em boa parte do mundo, e que em breve provavelmente não estará lá mais”, afirmou.
Trump não pode disputar a reeleição em 2028 porque a Constituição Americana proíbe qualquer presidente de acumular mais de dois mandatos, consecutivos ou não. Mesmo assim, o republicano cita abertamente a intenção de concorrer mais uma vez.
Zema quer lista tríplice no STF e chama Trump de ‘fanfarrão’Candidato do Novo prometeu reforma do Judiciário, voltar a falar em impeachment de ministros e sugeriu retaliação aos EUA por tarifaços
Política2026-08-06T20:08:22.711ZO ex-governador Romeu Zema, candidato do Novo a presidente, prometeu nesta quinta-feira (6) adotar a consulta a uma lista tríplice para indicar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito. A prática é comum, embora não obrigatória, na escolha do procurador-geral da República (PGR), mas não é usada no caso do STF, em que o presidente indica um nome por livre escolha. Zema foi o segundo a participar de sabatina da GloboNews – na quarta (5), o Embora sem mencionar nomes, Zema criticou indicações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo de seus três mandatos, como a dos ministros Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Flávio Dino. O primeiro representou a defesa de Lula durante os julgamentos da Lava Jato; o segundo advogou para o Partido dos Trabalhadores e assessorou juridicamente as campanhas de Lula de 1998 a 2006; e o terceiro foi ministro da Justiça no início do atual mandato lulista. “Como governador de Minas, eu fiz o uso da lista tríplice. Chegaram para mim durante sete vezes, se não me engano, nomes excelentes, porque já tinham passado por uma triagem ou na OAB, ou no Ministério Público, ou no próprio Tribunal de Justiça. Agora, por que o presidente tem tanta liberdade para indicar o advogado dele, o advogado do PT, o ministro dele? Eu como presidente quero que chegue para mim uma lista de notáveis", afirmou. O mote da campanha é de fortes críticas ao que considera serem desvios éticos da Justiça, sobretudo simbolizada em ministros da Corte. A questão é explorada através da série de vídeos “Os Intocáveis", em que Zema retrata magistrados como figuras corruptas e parciais para o lado de Lula. Os principais alvos são Toffoli, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes – este último moveu processo por calúnia contra o ex-governador. Para corrigir a questão, Zema prometeu endereçar uma “reforma profunda no Judiciário" para capitalizar um “clima de indignação” que diz identificar na sociedade. Zema não detalhou como fará as mudanças, mas indicou que, mesmo respeitando a organização interna da Justiça, buscará esse apoio junto ao Congresso – um dos objetivos da oposição nesta eleição é ganhar maioria no Senado para viabilizar uma inédita abertura de impeachment contra magistrados. “Estou confiante que teremos mudanças tanto no Senado quanto na Presidência, e que vai chegar o momento de nós mostrarmos para os brasileiros que eles tiveram, finalmente, a solução de um problema que é esse: ter um ministro que está lá para usar o cargo para enriquecimento, apesar de receber um dos salários mais altos do Brasil", criticou. Trump: “Fanfarrão” Questionado sobre as frentes de assédio dos Estados Unidos ao Brasil – como os tarifaços e a categorização do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas –, Zema atribuiu a culpa à escolha de Lula de “ficar quietinho” e não buscar contato para reverter as ações. “A primeira coisa que eu teria feito como presidente era pegar um avião e ir lá pessoalmente para falar: vim aqui para resolver. Ele nunca fez isso, nunca", disse Zema. Por outro lado, o candidato do Novo também deixou em aberto a possibilidade de aplicar medidas de reciprocidade contra o governo norte-americano. "Nós não vamos ser capachos dos Estados Unidos ou de ninguém”, frisou. Até o momento, o Itamaraty optou por não retaliar – mesmo assim, a crise voltou a escalar a nível diplomático na terça (4) com a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, com os EUA alegando reciprocidade pela falta de aprovação de seu embaixador, Daniel Perez. Zema ponderou que a relação que teria com a Casa Branca seria de cautela. O motivo é ver em Donald Trump um presidente “imprevisível” e “um tanto quanto fanfarrão". “É uma pessoa que está causando turbulências em boa parte do mundo, e que em breve provavelmente não estará lá mais”, afirmou. Trump não pode disputar a reeleição em 2028 porque a Constituição Americana proíbe qualquer presidente de acumular mais de dois mandatos, consecutivos ou não. Mesmo assim, o republicano cita abertamente a intenção de concorrer mais uma vez.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/zema-quer-lista-triplice-no-stf-e-chama-trump-de-fanfarrao
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