"Tenho acesso às redes dela": Prints revelam como oficial monitorava e isolava soldado morta no Brás
Mensagens mostram tenente-coronel confrontando primo de Gisele Santana e proibindo conversas, mesmo após explicações sobre laços familiares



Fabio Diamante
Robinson Cerantula
A Justiça decretou sigilo nas investigações sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. A policial era casada com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, e foi encontrada morta no apartamento do casal, no Brás, no centro de São Paulo. O oficial da PM paulista afirma que Gisele se suicidou com um tiro na cabeça.
Gisele dizia a familiares que sofria com o ciúme do marido e que queria se separar. O advogado da família divulgou prints de mensagens que indicam uma relação tóxica. O tenente-coronel exigiu que o primo de Gisele parasse de falar com ela. Veja as mensagens:

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o advogado da família da policial voltou a acusar o tenente-coronel de feminicídio. Um exame não encontrou pólvora nas mãos de Gisele.
“Em uma questão de suicídio, evidentemente, se ela tivesse realizado o disparo, iria apresentar positivo”, afirmou o advogado José Miguel.
Policiais civis envolvidos na investigação também não acreditam em suicídio, mas aguardam os laudos da perícia que podem contestar a versão apresentada pelo tenente-coronel.
Um dos exames vai apontar a trajetória do tiro na cabeça de Gisele. Um disparo de cima para baixo, por exemplo, não costuma ocorrer em casos de suicídio. O exame necroscópico também pode identificar ferimentos pelo corpo típicos de luta corporal antes do disparo. A posição em que Gisele foi encontrada pelos médicos da emergência também é analisada pelos peritos. A pistola estava inteiramente encaixada na mão direita da policial. Em casos de suicídio, a arma costuma cair da mão.
Os policiais civis também analisam imagens das câmeras corporais dos PMs que estiveram no apartamento logo após o crime. O equipamento registrou o comportamento do tenente-coronel, considerado estranho pelos policiais.
O tenente-coronel disse que falou sobre o divórcio e foi tomar banho quando ouviu o disparo, na manhã do dia 18 de fevereiro. Mesmo com a mulher sendo socorrida em estado gravíssimo, o tenente-coronel tomou um segundo banho antes de ir ao hospital.
Para o advogado, isso prejudicou o exame residuográfico, que busca identificar pólvora nas mãos do PM. “A própria narrativa dele dizendo que ele estava tomando banho e depois dos fatos tomou o segundo banho, isso evidentemente lavaria, tiraria todos os requisitos de pólvora”, declarou José Miguel.
O tenente-coronel participou de uma reconstituição realizada nesta segunda-feira dentro do apartamento. Com ajuda do luminol, um composto químico, peritos encontraram vestígios de sangue dentro do box do banheiro.









