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Bill Gates diz em depoimento que Epstein o chantageou

Criminoso sexual condenado teria usado informações sobre casos extraconjugais do cofundador da Microsoft para pressioná-lo a retomar contato com ele

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Reuters
10/06/2026, 19:51 • Atualizado em 10/06/2026, 19:52
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Empresário Bill Gates, cofundador da Microsoft, comparece ao Congresso dos EUA, em Washington, para depor sobre o caso Jeffrey Epstein | Foto: Reuters - 10.06.2026

Empresário Bill Gates, cofundador da Microsoft, comparece ao Congresso dos EUA, em Washington, para depor sobre o caso Jeffrey Epstein | Foto: Reuters - 10.06.2026

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Bill Gates disse aos membros do Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (10) que "não compreendia totalmente a gravidade" dos crimes de Jeffrey Epstein quando se associou ao falecido condenado criminoso sexual para arrecadar fundos para sua fundação filantrópica.

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Gates também disse que nunca testemunhou qualquer conduta criminosa por parte de Epstein, mas acusou Epstein de chantageá-lo por causa de seus casos extraconjugais.

"Esses casos não tinham nada a ver com minhas interações com Epstein, mas foram dolorosos para minha família", disse Gates, de acordo com uma cópia de sua declaração inicial. "Epstein estava tentando usar informações sobre minhas infidelidades — além de muitas mentiras que ele acrescentou — para me pressionar a retomar o contato com ele."

O Congresso vem investigando a conduta do Departamento de Justiça dos EUA no caso Epstein. O depoimento do bilionário tratou de seus contatos com o criminoso sexual que aliciava mulheres e meninas de origens pobres ou instáveis.

O cofundador da Microsoft testemunhou em sigilo perante a Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara, que está investigando uma possível má gestão federal nos processos contra Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell, bem como questões relacionadas.

O deputado federal James Comer, presidente republicano da comissão, solicitou a Gates, em uma carta enviada em março, que comparecesse para uma entrevista presencial com transcrição.

Gates contratou Jake Greenberg, que foi o chefe de investigação do painel de supervisão até dezembro, para ajudá-lo a se preparar para a audiência, informou o New York Times na terça-feira. Um porta-voz da comissão disse à Reuters que o painel não trabalha com Greenberg desde sua saída.

Epstein se declarou culpado de uma acusação de crime de prostituição no estado da Flórida em 2008 e cumpriu 13 meses de prisão.

Promotores federais o acusaram de tráfico sexual de menores em 2019. Epstein se declarou inocente dessas acusações e morreu no que foi considerado um suicídio no final daquele ano, antes de seu julgamento.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA este ano indicaram que Gates e Epstein se encontraram repetidamente após a pena de prisão de Epstein em 2008 para discutir a expansão dos esforços filantrópicos do bilionário da tecnologia.

Eles também incluíam fotos de Gates posando com mulheres cujos rostos foram ocultados. Gates já havia afirmado que a relação com Epstein se limitava a discussões relacionadas à filantropia e disse que foi um erro se encontrar com ele.

Gates "assumiu a responsabilidade por suas ações" em uma reunião aberta com funcionários da Fundação Gates em fevereiro, disse um porta-voz do grupo filantrópico à Reuters.

A relação de Gates com Epstein envolveu a Fundação Gates, que afirmou em abril ter iniciado uma revisão externa sobre seu envolvimento com o financista morto. Emails divulgados em janeiro pelo Departamento de Justiça dos EUA também mostraram comunicações entre Epstein e a equipe da Fundação Gates.

A investigação da comissão da Câmara norte-americana inclui a conduta das autoridades nas investigações e processos judiciais, acordos de confissão, a morte de Epstein, falhas no combate ao tráfico sexual, questões éticas e atrasos na divulgação de arquivos governamentais.

A divulgação pelo Departamento de Justiça norte-americano de milhões de documentos internos relacionados a Epstein revelou seus laços com muitas figuras proeminentes da política, finanças, academia e negócios, incluindo o presidente Donald Trump, que conviveu extensivamente com Epstein nas décadas de 1990 e 2000.

A ex-procuradora-geral Pam Bondi, demitida por Trump em abril, enfrentou críticas severas por sua condução do caso. Alguns críticos a acusaram de tentar proteger Trump.

O presidente dos EUA se opôs à divulgação dos arquivos até pouco antes do Congresso aprovar por esmagadora maioria uma lei ordenando sua divulgação.

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