Vítimas de Epstein acusam jornalista de quebra de privacidade
Frédéric Ploquin teria reproduzido, sem o consentimento das mulheres, trechos de depoimentos prestados por elas à polícia francesa

Jornalista francês Frédéric Ploquin em entrevista à emissora francesa 'BFMTV' | Foto: Reprodução/YouTube/@BFMTV - 19.11.2025
Quatro vítimas do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein que prestaram depoimento à polícia francesa denunciam um jornalista francês por invasão de privacidade. Segundo elas, Frédéric Ploquin teria "reproduzido" com "precisão insuportável elementos de seus depoimentos" no livro Epstein, o segredos da rede francesa.
O livro foi publicado em meados de maio pela editora Noveau Monde. A obra gira em torno dos crimes sexuais cometidos por Epstein, que morreu na prisão em 2019, e de Jean-Luc Brunel, um agente de modelos indiciado na França por estupro de menores, que cometeu suicídio na prisão em 2022.
O livro "reproduz, descreve ou relata com precisão insuportável elementos de seus depoimentos (...): seus primeiros nomes, os detalhes da violência sexual sofrida, a intimidade de suas histórias, às vezes até mesmo as palavras de seu sofrimento", denunciou a advogada Anne-Claire Lejeune, que representa essas quatro vítimas, em um comunicado.
"Nada justifica que uma vítima reviva publicamente o que confidenciou ao sistema judiciário no sigilo de um processo criminal. Nada autoriza que a dor se torne material editorial", acrescentou Anne-Claire, que o critica por não ter "buscado o consentimento delas" nem "se dado ao trabalho de informá-las sobre a publicação", gerando assim um "novo trauma".
Em resposta às acusações, Ploquin afirmou que pretendia alterar os primeiros nomes de todas as vítimas envolvidas, com exceção de duas que já haviam dado entrevistas a outros veículos de comunicação. Ele admitiu que, no caso das demais vítimas, pode ter havido de fato um erro de sua parte.
Ploquin disse ainda que a decisão de publicar os depoimentos para romper o "código de silêncio" que, segundo ele, silenciou as vítimas por muito tempo. O jornalista acrescentou que não agir equivaleria a contribuir para manter os atos hediondos em segredo e que teria buscado, sem sucesso, ajuda de advogados enquanto escrevia o livro.















