Relatório apontou irregularidades em loja de shopping no Rio seis dias antes de incêndio com duas mortes
Documento assinado pelas vítimas listava falhas graves de segurança na loja Bell'Arte, no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio
Bruna Carvalho
Os dois mortos no incêndio no Shopping Tijuca, no Rio de Janeiro, assinaram um relatório que apontava diversas irregularidades no estabelecimento. O documento foi entregue seis dias antes do fogo atingir o prédio.
Entre os problemas listados estavam chuveiros automáticos para uso em incêndios cobertos por mercadorias, detectores de fumaça inutilizados, fiações presas com fita, extensões improvisadas e a presença de materiais inflamáveis, o que aumentava ainda mais o risco no local.
As fotos foram tiradas na casa de máquinas e no estoque da loja Bell'Arte e fazem parte de um relatório apresentado no dia 27 de dezembro de 2025, seis dias antes do incêndio.
O fogo começou por volta das 18h da última sexta-feira, na loja que fica no subsolo do Shopping Tijuca, na zona norte do Rio. Três pessoas ficaram feridas e duas morreram: o supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado e a brigadista Emellyn Silva. Os dois profissionais assinaram o relatório de vistoria que apontou as irregularidades.
Um vídeo feito por um cliente mostra os brigadistas caminhando pelo local enquanto vários frequentadores observam a situação, sem imaginar o risco iminente.
Do lado de fora do shopping, o cheiro de fumaça ainda é muito forte e o prédio permanece fechado. Em nota, a direção do shopping informou que a loja recebeu o relatório e que, dois dias depois, nenhuma mudança havia sido feita. A administração afirmou ainda que enviou um e-mail reforçando a necessidade de que o estabelecimento tomasse as providências necessárias, o que não aconteceu.
Uma pessoa que trabalha no shopping e não quis se identificar reforçou que as irregularidades apontadas no relatório foram ignoradas.
“Se prestar atenção no relatório, já havia sete dias, coisas que poderiam ser feitas e evitadas. Foi feito o checklist preventivo, passaram e não deram a menor importância ao checklist”, disse.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia recebeu cinco denúncias contra o Shopping Tijuca no ano passado, uma delas sobre um princípio de incêndio. Durante a vistoria, no entanto, nenhuma irregularidade foi encontrada.
O presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández, alertou para a necessidade de atenção a estruturas mais antigas e citou a ocorrência de três incêndios nos últimos dias.
A Polícia Civil ainda deve voltar ao shopping para concluir a perícia. Segundo os bombeiros, a temperatura das paredes chegou a 70 graus. O subsolo está completamente interditado, e outras 17 lojas no térreo também foram afetadas.
A loja Bell'Arte não comentou as denúncias de irregularidades.









