Polícia

Mulher acusada de envenenar enteada com “chumbinho” vai a júri popular no RJ

Cíntia Mariano Dias Cabral é acusada de matar a enteada e tentar matar o enteado após colocar veneno na comida em 2022

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Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de envenenar a enteada, Fernanda, de 22 anos, e o enteado, Bruno Cabral | Reprodução
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A Justiça do Rio de Janeiro levou a júri popular, nesta quarta-feira (4), Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de envenenar a própria enteada, Fernanda Cabral, de 22 anos, e tentar matar o enteado, Bruno Cabral, que na época tinha 16 anos.

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Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o crime ocorreu em 15 de março de 2022, quando a acusada teria colocado veneno conhecido como “chumbinho” na comida servida a Fernanda.

A jovem passou mal logo após a refeição, foi levada para o hospital e morreu após 13 dias de internação.

De acordo com a acusação, em maio do mesmo ano Cíntia teria repetido o método ao oferecer comida contaminada ao enteado, Bruno Cabral. O adolescente sobreviveu após receber atendimento médico.

O Ministério Público sustenta que o crime teria sido cometido por motivo fútil, relacionado a ciúmes da relação dos filhos com o pai, Adeílson Jarbas Cabral, com quem Cíntia era casada.

O julgamento já havia começado em outubro de 2025, mas foi interrompido após a defesa deixar o plenário. Na ocasião, os advogados alegaram a ausência de uma testemunha considerada essencial e a necessidade de novas diligências no processo.

Relembre o caso

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou no dia 11 de julho de 2022, Cíntia Mariano Dias Cabral pela morte de sua enteada, Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, e pela tentativa de homicídio do irmão da vítima, Bruno Carvalho Cabral, de 16.

Segundo as investigações a madrasta envenenou as refeições de Fernanda e Bruno, em 15 de março e em 15 de maio, respectivamente, usando o inseticida carbamato, popularmente conhecido chumbinho.

Uma perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli no celular de Cíntia, mostrou que a suspeita pesquisou na internet sobre "como apagar mensagens de whatsapp", na tarde do dia de 27 de abril. A perícia recuperou as mensagens, que estão anexadas no inquérito. O relatório está com a Delegacia de Realengo que apura o caso.

A Polícia Civil concluiu que a madrasta colocou veneno nas comidas oferecidas aos dois enteados, na casa dela, por ciúmes que tinha do marido, pai de Fernanda e Bruno. Ela não aceitava dividir a atenção do companheiro com os filhos dele e, por isso, quis matar os jovens.

Nas mensagens recuperadas no celular da suspeita ela chegou a desejar uma boa recuperação a enteada, quando Fernanda estava internada.

Em uma delas, fala com um irmão: "Wesley, Bruno veio almoçar aqui e foi envenenado. Uma desgraça está acontecendo aqui". A mensagem foi escrita pouco depois do meio dia, do dia 16 de maio. No dia seguinte após o estudante ter sido internado no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. Na mesma mensagem o irmão pergunta: "Mas, como assim? Se ele comeu aí. Onde ele está?".

Em outro diálogo, uma amiga da família escreve a Cíntia: "Cheguei na delegacia, Bruninho tá no CTI igual Fernanda, mesmas coisas, só que ele chegou a ver e contar para tia Jane. Viu coisas azuis no feijão, veneno. Disse que a madrasta na hora ficou nervosa, começou a pegar o prato dele, trocar, apagar a luz da cozinha, porque ele sentiu o gosto. Agora, tá no Albert". Na sequência, ela encaminhou um print dessa mensagem a seu outro filho biológico, Lucas Mariano Rodrigues.

Em outro trecho da conversa pelo aplicativo de mensagens, Cíntia então escreve algo que apaga em seguida e o filho dela Lucas responde: "Mãe, você tá me acusando, você tá vendo as coisas que tá fazendo? Eu sou seu filho, cara. Pelo amor de Deus! Assuma suas responsabilidades. Eu tô ficando com vergonha de te olhar. Eu pedi para você me contar a verdade, cara, você tá acusando as pessoas por coisas que você fez. Acabou, mãe. Acabou. por favor! Não faça isso. Assuma o que você fez. Eu não tô aguentando isso tudo. Eu tô passando mal. Por favor".

O laudo complementar de necropsia realizado no cadáver exumado de Fernanda atestou que embora o exame toxicológico não tenha sido capaz de identificar substâncias tóxicas, a análise de prontuário médico do Hospital Municipal Albert Schweitzer, onde a jovem ficou internada por doze dias, indica que a eliminação do chumbinho, é rápida.

Já o laudo complementar do exame de corpo de delito de lesão corporal feito a partir da análise do material gástrico de Bruno já mostrava que o estudante havia sido vítima de uma "ação química, envenenamento por carbamatos".

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