'Melhor não se envolver com homem', diz chefe de polícia da Alemanha sobre onda de violência contra mulheres
Declaração ocorreu enquanto Dirk Peglow comentava o aumento de 8,5% no número de casos de estupro, agressão sexual e crimes sexuais de no país em 2025

Sofia Pilagallo
O presidente de uma associação de investigadores criminais da Alemanha afirmou, em entrevista a uma emissora, que mulheres alemãs deveriam "evitar se relacionar com homens". A declaração foi feita na segunda-feira (20), enquanto comentava dados que mostram a escalada da violência contra mulheres na Alemanha.
"É melhor não se envolver em um relacionamento com um homem", afirmou o presidente da Associação Alemã de Policiais Investigadores Criminais, Dirk Peglow, em entrevista à emissora pública "ZDF". "Se isso acontecer, o risco de se tornar vítima de violência psicológica ou física é muito maior."
O comentário de Peglow veio à tona enquanto ele discutia o aumento de 8,5% no número de casos de estupro, agressão sexual e crimes sexuais de natureza particularmente grave ou que resultaram em morte na Alemanha, em 2025. Ele destacou que, em contraste, a criminalidade total do país registrou queda de 4,4%.
Na entrevista, o chefe de polícia apontou ainda que, em 2024, pelo menos duas mulheres por dia foram vítimas de homicídio ou tentativa de homicídio na Alemanha. Naquele ano, o país registrou um recorde histórico de violência doméstica, resultando em 286 mortes, das quais 191 eram mulheres.
A declaração de Peglow gerou forte repercussão e desencadeou uma onda de críticas, incluindo ataques e ameaças direcionadas a ele e a apresentadora Dunja Hayali, que conduziu a entrevista. Diante da reação negativa à entrevista, o autor recuou e classificou o comentário como um "exagero".
"Minha declaração foi, obviamente, um exagero. Não pretendia ser um conselho a ser interpretado literalmente", afirmou Peglow ao jornal "Bild" na quarta-feira (22). "A esmagadora maioria dos homens não é violenta e não é criminosa."
No Brasil, o número de mulheres mortas diariamente por feminicídio é o dobro do registrado na Alemanha. Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas do crime no país, o equivale a quatro mulheres mortas por dia, segundo a pesquisa "Retratos dos Feminicídios no Brasil", divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Entre 2021 e 2024, 59,4% das vítimas de feminicídio foram mortas pelo companheiro e 21,3% pelo ex-companheiro. Familiares respondem por 10,2% dos casos, enquanto desconhecidos representam 4,9% das ocorrências. Isso significa que mais de 8 em cada 10 feminicídios foram praticados por homens que mantinham ou já tinham mantido vínculos afetivos com a vítima.









