Polícia

MP denuncia 10 PMs por manipular câmeras corporais e invadir casas em megaoperação no RJ

Segundo o Ministério Público do Rio, policiais teriam desligado ou posicionad equipamentos para impedir gravações durante a Operação Contenção

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Presos em operação no Rio de Janeiro | EFE/ Antonio Lacerda

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta quarta-feira (11), dez policiais militares por supostas irregularidades durante a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, no dia 28 de outubro de 2025.

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De acordo com uma das denúncias apresentadas pela 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, os policiais teriam desrespeitado uma ordem superior ao manipular as câmeras operacionais portáteis (COPs), equipamentos de uso obrigatório. Os agentes também são acusados de realizar invasões ilegais a residências.

Na acusação sobre a manipulação das câmeras, a análise das gravações feitas pelos próprios equipamentos indicou que, em diversos momentos, os dispositivos foram posicionados de forma inadequada.

Segundo o Ministério Público, as câmeras foram direcionadas para locais que impediam a visualização das ocorrências, dificultando o registro das ações realizadas pelos agentes.

Cinco policiais denunciados pelas irregularidades no uso das câmeras, junto com outros cinco agentes, foram denunciados por invadir residências e estabelecimentos comerciais sem autorização judicial ou consentimento dos moradores.

O documento aponta que os agentes utilizaram ferramentas como chaves micha, facões e chaves de fenda para tentar abrir portões e acessar os imóveis.

Em alguns casos, as tentativas de invasão não foram concluídas porque os policiais não conseguiram abrir as entradas das casas.

Outras denúncias

O Ministério Público informou que já apresentou outras seis denúncias relacionadas a irregularidades cometidas durante a mesma operação.

Entre os casos investigados estão apropriação de um fuzil encontrado em uma residência no Complexo do Alemão, furto de peças de um veículo na Vila Cruzeiro, invasões de domicílio e constrangimento de moradores, subtração de bens durante diligências policiais e tentativas de desligar ou obstruir câmeras corporais.

Com as denúncias mais recentes, o total chega a oito ações apresentadas contra 19 policiais militares por suspeitas de irregularidades durante a Operação Contenção

Megaoperação

A megaoperação das forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro, deflagrada no dia 28 de outubro de 2025, nos complexos da Penha e do Alemão, é considerada a mais letal da história fluminense.

A ação, batizada de Operação Contenção, teve como objetivo desarticular lideranças do Comando Vermelho que atuam na região.

Cerca de 2.500 policiais civis e militares cumpriram mandados de prisão e busca na região. Ao todo, 122 pessoas morreram, sendo 117 civis e cinco agentes de segurança e mais de cem pessoas foram presas.

As forças de segurança encontraram forte resistência armada. Houve relatos de intensos tiroteios, barricadas incendiadas em vias expressas e até o uso de drones por criminosos para tentar impedir o avanço policial.

A ação superou em número de mortos as duas operações mais violentas anteriores: a do Jacarezinho, em maio de 2021, que deixou 28 mortos, e a da Vila Cruzeiro, em maio de 2022, com 24 mortes, ambas realizadas durante o governo de Cláudio Castro (PL).

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