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Militar diz que enviou conteúdo com mentiras sobre processo eleitoral a Cid porque poderia ser útil

Guilherme Marques Almeida prestou depoimento à PF na investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado arquitetada no governo Bolsonaro em 2022

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Guilherme Resck
15/03/2024, 22:26 • Atualizado em 16/03/2024, 00:48
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Militar diz que enviou conteúdo com mentiras sobre processo eleitoral a Cid porque poderia ser útil

O tenente-coronel do Exército Guilherme Marques Almeida, ex-comandante do 1º Batalhão de Operações Psicológicas, disse à Polícia Federal (PF), em depoimento, que enviou conteúdo com informações falsas sobre o processo eleitoral de 2022 ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), porque achava que o material poderia ser útil.

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Tratava-se de uma live apresentada pelo argentino Fernando Cerimedo com o título "Fraude comprovada! Acabou para o Lula!!!". Almeida encaminhou diversos links dela para Cid em 4 e 5 de novembro de 2022, depois do segundo turno das eleições, pelo WhatsApp. Mais cedo, no dia 4, decisão da Justiça Eleitoral havia retirado o conteúdo do ar, por espalhar mentiras sobre as eleições.

Questionado pela PF se sabia que estava burlando a decisão ao compartilhar a live, Almeida disse que não sabia. Segundo ele, nem Cid, nem qualquer outra pessoa pediu a ele que enviasse os links ao ajudante de ordens de Bolsonaro. O depoimento foi tornado público pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (15), e foi colhido na investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado arquitetada no governo Bolsonaro contra o presidente eleito em 2022.

O depoente falou ainda acreditar que recebeu os links por WhatsApp e que não se recorda quem lhe enviou. Segundo ele, o conteúdo lhe chamou a atenção e não havia uma intenção específica ao mandar para Mauro Cid.

Almeida disse que chegou a ver o início da live e não a terminou por ser longa. Além disso, declarou que não tinha ciência que o vídeo havia sido retirado do ar pelo YouTube no dia 4 de novembro, não chegou a checar a veracidade das informações presentes nele nem sabia que o conteúdo era falso ao compartilhar.

Na época, Almeida estava lotado no Comando de Operações Terrestres, na função de chefe da Seção de Operações Psicológicas. Ele disse à PF que o compartilhamento do link da live não tem relação com as atribuições que exercia naquele momento.

Naqueles dias, além dos links, enviou frases a Cid: "Fizeram um site completo, com todo o material da investigação sobre a maior fraude do século!"; e "nosso time é bom demais, incrível. Esse está hospedado em Portugal. O site que estava no Brasil foi derrubado". Perguntando pela PF sobre a quem se referia nelas, disse que acredita que as mensagens foram copiadas e coladas e não escreveu isso. Não saberiam quem fez o site e quem seriam os integrantes do suposto time.

Outra mensagem dizia "tiraram do ar. Quem precisar, tenho baixado. Só avisar que envio o arquivo e mp4". Entretanto, falou à PF não se recordar de ter baixado o vídeo.

Questionado se restou comprovada alguma fraude no processo eleitoral conforme divulgado no link da live, respondeu acreditar que não.

Segundo ele, não se encontrou com Mauro Cid em 2022 e nunca serviu com ele nem possui amizade com o militar. Foram colegas na formação de oficiais, na tuma de 2000.

Operação da PF

Guilherme Marques Almeida foi alvo da Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela PF para investigar organização criminosa que tentou dar golpe de Estado no Brasil, abolir o Estado Democrático de Direito e manter Jair Bolsonaro no poder.

No depoimento à PF, disse que sua intenção é colaborar com os fatos investigados, que não participou de nenhum conluio, não fez nenhuma ação institucional relativa aos fatos investigados, não participou de nenhuma reunião presencial ou virtual referente aos eventos nem assinou nenhuma carta.

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