Polícia

Justiça absolve PMs que agrediram e queimaram adolescentes com cigarro

Agentes buscaram coagir dupla para confessar roubo de carro na zona leste de SP

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Policiais tentaram evitar que câmeras gravassem agressões a adolescentes. | Reprodução/PM
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A Justiça Militar absolveu, na segunda-feira (13), os policiais militares acusados de agressão e tortura contra dois estudantes de 14 anos. O caso ocorreu em maio de 2024, na zona leste de São Paulo.

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Na época, os estudantes foram acusados injustamente de roubar um carro. Câmeras de segurança flagraram os agentes tentando coagir os adolescentes a confessar o roubo, com tapas e socos. A pressão incluiu queimaduras com cigarro e xingamentos, seguidos de ameaças de morte contra eles e suas famílias.

Segundo o Tribunal de Justiça Militar, em sessão de julgamento realizada nessa segunda-feira (13), o Conselho Permanente de Justiça da 4ª Auditoria Militar do Estado de São Paulo condenou, por votação unânime, o Cabo PM Leandro de Freitas Menezes e o Soldado PM Guilherme Correia Jordão à pena de 2 anos, 2 meses e 20 dias de detenção, em regime aberto, pelo crime de violência arbitrária.

Já os policiais Cabo PM Virgínia Gonçalves Rakaukas, Cabo PM Igor Vianna da Silva e 3º Sargento PM Gilmar Fim foram absolvidos, por decisão não unânime. A sentença é passível de recurso tanto pela defesa quanto pelo Ministério Público, ainda conforme a nota.

Em nota ao SBT News, a defesa dos adolescentes, o advogado Geraldo Rosário, disse que vai aguardar a posição da promotora. Caso ela não recorra, ele vai recorrer.

"Os dois que agrediram fisicamente os adolescentes, que por sua vez, possuem proteção especial do ECA, deveriam perder o cargo público, porque os atos são incompatíveis com o serviço. Infelizmente, o que ajudou na absolvição foi o fato do exame de corpo de delito que pedi, ainda no processo na vara da infância e juventude, não ter sido feito, mesmo com o pedido do juiz. Sendo feito somente três meses depois, por ocasião da nossa denúncia junto a corregedoria da PM. O tempo acabou por beneficiar quem cometeu o crime", afirmou.

Relembre caso

O caso veio à tona após a divulgação das gravações das câmeras corporais, que mostraram os adolescentes sendo forçados a confessar o roubo de um carro. De acordo com o advogado das vítimas, as imagens revelaram agressões físicas, queimaduras e ameaças.

"Embora eles tenham colocado a mão à frente da câmera, desacoplaram o equipamento apontando para o céu ou outro local para que não fosse gravado, por um descuido, foi possível pegar o soco no rosto, queimadura no braço", afirmou.

Na época, os jovens, ambos de 14 anos, confessaram o crime sob coação e permaneceram apreendidos por uma semana. Meses depois, com novas provas apresentadas, eles foram absolvidos.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou, em nota, que os cinco policiais identificados nas imagens haviam sido afastados das funções operacionais e que "a conduta é inaceitável e não tem qualquer relação com os protocolos operacionais e aos valores da Polícia".

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