Jovem é assassinado durante abordagem policial na Grande São Paulo
Policiais militares alegaram legítima defesa, mas foram afastados; amigo afirma que a vítima sofria de problemas mentais e teve um surto

Um jovem de 26 anos foi assassinado em mais uma abordagem violenta da Polícia Militar, em São Paulo. Os PMs envolvidos, que alegaram legítima defesa, foram afastados.
A abordagem aconteceu em Barueri, na Grande São Paulo. Em depoimento à polícia, um amigo do jovem que morreu contou que pediu ajuda a Lucas Almeida de Lima porque teve um problema elétrico no carro dele.
Lucas e Michael Matos de Andrades estavam tentando descobrir o que havia acontecido no veículo quando a viatura da PM chegou.
Os soldados Jonas Takizo Hashimoto e Mayck Moreira dos Santos afirmam que, ao ser abordado, Michael tentou fugir, foi perseguido e capturado. Já Lucas teria reagido, tentando tirar a arma de Hashimoto, e então foi baleado.
Vídeos gravados por pessoas que passavam pelo local mostram que foram ao menos três disparos. Antes dos tiros, um dos policiais deu socos e chutes no abdômen de Lucas, que foi socorrido para um hospital da região, mas não resistiu.
Segundo o amigo, a vítima não tinha qualquer envolvimento com o crime e sofria de problemas mentais. Michael acredita que Lucas teve um surto no momento da abordagem.
A Polícia Militar afastou os agentes que agrediram e mataram o jovem e apreendeu a arma de ambos. Segundo a PM, os fatos estão sendo apurados por meio de um Inquérito Policial Militar. A Polícia Civil também investiga o caso por meio de um inquérito instaurado na delegacia de Barueri.
A Ouvidoria da Polícia de São Paulo informou que abriu um procedimento nesta segunda-feira (17) para que a Corregedoria da Polícia Militar apure a morte de Lucas e solicitou as imagens das câmeras corporais acopladas nos coletes dos PMs.
O órgão afirmou que o episódio "comprova a necessidade urgente de reestruturação nos processos formativos da tropa quanto aos direitos fundamentais da pessoa humana e de urgente revisão dos aspectos de saúde mental da força policial".
Dados obtidos com exclusividade pelo SBT revelam que desde janeiro de 2024 até o final de fevereiro deste ano, 63 policiais militares de São Paulo foram afastados das atividades por estarem envolvidos em ocorrências sob investigação.
Desde o início deste ano até o dia 15 de março, 111 pessoas foram mortas por policiais militares - 94 ocorreram durante abordagens e 17 mortes envolveram PMs de folga.














