Economia

Ibovespa fecha aos 171 mil pontos e dólar sobe a R$ 5,18

Mercado repercutiu a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que trouxe um tom cauteloso sobre os próximos passos da política monetária

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Exame.com
23/06/2026, 22:48 • Atualizado em 23/06/2026, 22:48
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Ibovespa (Divulgação/B3)

Ibovespa (Divulgação/B3)

O Ibovespa fechou esta terça-feira em alta de 0,65%, aos 171.483 pontos, após uma sessão marcada por volatilidade e mudança de humor dos investidores. O dólar fechou em alta de 0,88% a R$ 5,18.

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O principal índice da bolsa brasileira chegou a operar no campo negativo pela manhã, pressionado pela leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e pelo forte desempenho negativo dos mercados americanos, mas ganhou força ao longo do dia e encerrou em território positivo.

A recuperação ocorreu apesar das perdas registradas em Wall Street, onde as ações ligadas ao setor de semicondutores e tecnologia puxaram os índices para baixo. O Nasdaq recuou 2,22%, enquanto o S&P 500 caiu 1,44% e o Dow Jones fechou com baixa mais moderada, de 0,09%.

Das ações que compõem o índice brasileiro, 41 fecharam em alta, 17 recuaram e 20 terminaram estáveis.

Entre os destaques positivos do pregão, a Marfrig (MRFG3) liderou os ganhos, com valorização de 9,88%. Na sequência apareceram Vivara (VIVA3), que avançou 4,64%, e Azzas (AZZA3), com alta de 3,61%.

A ata do Copom trouxe uma mensagem mais dura sobre a condução da política monetária, reforçando a necessidade de manter os juros em patamar restritivo por um período prolongado diante das expectativas de inflação ainda desancoradas.

"Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", afirmou o comitê.

O documento foi divulgado após a decisão do Banco Central de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,25% ao ano. Apesar do corte, a autoridade monetária evitou sinalizar os próximos passos do ciclo de afrouxamento monetário e reiterou a necessidade de cautela.

Mercado vê previsibilidade apesar do tom duro

A leitura inicial da ata pressionou os ativos domésticos, uma vez que o texto reforçou a preocupação do Banco Central com a inflação e afastou expectativas de cortes mais acelerados nos juros.

Ao longo do pregão, porém, investidores passaram a interpretar que a comunicação da autoridade monetária trouxe maior previsibilidade para a trajetória da política monetária.

Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o mercado acabou encontrando um aspecto positivo no documento justamente pela maior clareza em relação à postura do Banco Central.

A ata manteve um tom cauteloso e reforçou o compromisso com o controle da inflação, o que inicialmente gerou desconforto. No entanto, à medida que os investidores assimilaram a mensagem, prevaleceu a percepção de que o Banco Central ofereceu maior visibilidade sobre sua atuação, reduzindo incertezas relevantes para a precificação dos ativos.

Segundo Teles, mesmo que o cenário de juros elevados não seja o mais favorável para a atividade econômica, a previsibilidade tende a ser bem recebida pelos agentes financeiros.

"Mercados costumam reagir melhor quando conseguem antecipar os possíveis movimentos da política monetária. Essa previsibilidade favorece o planejamento dos investidores institucionais e pode contribuir para uma retomada gradual do fluxo de capital para a bolsa brasileira", diz.

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