Cidades

Delegada que chefiou DHPP relata machismo, casos emblemáticos e impactos da violência na saúde mental de policiais

Em entrevista ao True Crime, Elisabete Sato relembra bastidores de investigações, desafios na carreira e a evolução da políciasequestros

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Fabio Diamante, Robinson Cerantula
10/04/2026, 17:46 • Atualizado em 10/04/2026, 17:46
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O True Crime recebeu a delegada Elisabete Sato, a primeira e única mulher a comandar o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, um dos setores mais estratégicos da Polícia Civil. Com quase cinco décadas de carreira, ela esteve à frente de investigações que marcaram o país, como os crimes de Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, e o caso das meninas Mel e Bia.

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Na entrevista, Sato relembrou os desafios enfrentados ao longo da trajetória em uma instituição historicamente dominada por homens. “Não foi fácil. O machismo é estrutural, não só na polícia, mas em toda a sociedade”, afirmaou. Ao chegar ao DHPP, chegou a ouvir: “Vamos ver se você não era uma secretária melhorada”. Segundo ela, o comentário teve efeito contrário e serviu de motivação para provar sua capacidade.

A delegada também refletiu sobre a origem desse comportamento. Para ela, muitos homens reproduzem padrões aprendidos ao longo da vida. “Se o homem foi ensinado a ser machista, achar que ele é o todo poderoso, ele se comportará dessa maneira”, disse. Esse cenário, segundo Sato, também se repete na relação com criminosos. “Já ouvi: ‘ser preso tudo bem, mas por uma delegada?’”, relatou.

Ao falar sobre liderança, Sato destacou que o trabalho policial exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade. “O policial não é um super-herói, ele é um ser humano que está como policial”, afirmou.

Um caso que marcou sua trajetória foi o do Maníaco do Parque, o primeiro serial killer com quem teve contato direto. Sato descreveu o criminoso como alguém manipulador, para ela, serial killers têm um perfil marcado pelo desejo de poder e pela violência extrema.

A delegada também falou sobre o impacto emocional de lidar com crimes dessa natureza: "É impossível você ir para casa e deixar tudo na delegacia”. Por fim, Sato fez um alerta para os desafios atuais enfrentados pela polícia, especialmente em áreas onde o acesso tem se tornado mais difícil. Segundo ela, equipes menores já não conseguem atuar com a mesma liberdade em algumas comunidades.

Com uma carreira marcada por pioneirismo, a delegada deixa um retrato dos avanços e das dificuldades da segurança pública no Brasil — e reforça que, por trás da farda, há profissionais que também precisam de cuidado.

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