Cidades

Casas noturnas e bares adotam protocolo contra violência após casos de abuso em SP

Estado registrou pelo menos 100 casos de estupro em 2023 e já soma 14 ocorrências neste ano em estabelecimentos

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Simone Queiroz, Victor Ferreira
11/04/2026, 03:21 • Atualizado em 11/04/2026, 03:21
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Locais para se divertir e relaxar também têm sido cenário de violência contra mulheres. Só no ano passado, foram registrados, no estado de São Paulo, pelo menos 100 casos de estupro em bares, restaurantes e casa noturnas - um a cada três dias. Neste ano, a Secretaria da Segurança Pública já contabiliza 14 ocorrências.

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Em São Paulo, estabelecimentos podem aderir ao protocolo "Não se Cale", que visa proteger e acolher vítimas de importunação sexual, um crime mais comum do que se imagina nesses locais. A informação é considerada uma ferramenta essencial de prevenção.

Cartazes são colocados nos salões e também nos banheiros feminino e masculino, para que todos saibam o que é permitido e o que não é. Além disso, mais de 100 mil garçons, seguranças e recepcionistas já passaram por treinamento, segundo Luiz Orsatti, diretor executivo do Procon- SP..

"Ter, enfim, um protocolo justamente de atendimento: primeiro, tirar essa mulher dessa situação de assédio e, eventualmente, dar um encaminhamento, seja para sua residência ou para alguma autoridade policial, para que formalize essa questão", explica.

O dono de um bar, na zona sul da capital paulista, lembra de um episódio em que o olhar atento dos funcionários garantiu a segurança de uma jovem que havia bebido além da conta. Segundo André Albuquerque, um homem tentou entrar no banheiro com ela. "O gerente ficou na porta até ela poder se refazer, jogar água no rosto. Disponibilizou um chocolate, água, refrigerante. Na hora de ir embora, a gente não deixou que ninguém levasse ela para casa. A gente mesmo chamou o Uber, colocou ela no carro e pagou a corrida", afirmou.

Mas, às vezes, a vítima nem exagerou no álcool. O criminoso é que coloca medicamentos que fazem a vítima literalmente apagar. É a suspeita do que aconteceu com Thais Fernandes dos Santos nesta semana. Ela contou que aceitou o drink oferecido por um homem que tinha acabado de conhecer.

Imagens de câmeras de segurança, no bairro da Vila Madalena, mostram que ela foi deixada na rua, desacordada, sem a bolsa e quase nua. Ela não se lembra de nada.

Teste para substâncias em estudo

O Instituto de Química da USP desenvolveu um teste sensível a substâncias geralmente usadas no golpe conhecido como “boa noite, Cinderela”. O professor titular. Do instituto Thiago Paixão, testou amostras para a reportagem e uma delas indicou presença de substância estranha à bebida.

"Pode ser sedativo, hipnótico, anestésico. Esse é o grande problema que a gente tem. A maneira como eles adulteram a nossa bebida é muito variada. É muito difícil a pessoa perceber. Normalmente são compostos que não dão sabor, não dão gosto, não dão odor à bebida. Não muda visualmente", explicou.

O teste ainda não é produzido comercialmente. Por enquanto, são as mulheres que criam suas próprias estratégias de proteção.

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