Polícia

Exclusivo: Áudio de ex-diretor do São Paulo embasou nova investigação da Polícia Civil; ouça gravação

Gravação de Antonio Donizete Gonçalves fala em cobrança de “joias” de até R$ 150 mil e 20% do faturamento

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Um áudio atribuído a Antonio Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, ex-diretor do São Paulo Futebol Clube, embasou a abertura de uma nova investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo para apurar suspeita de exploração comercial abusiva envolvendo o clube.

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Em áudio obtido pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, um homem apontado como Donizete, conversa com um interlocutor e fala sobre valores que seriam cobrados para uso de espaço da sede do São Paulo.

Segundo a gravação, existiria a cobrança de uma “joia”, com valor que variava entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, além de 20% do faturamento bruto.

"A gente cobra uma joia, né, para a pessoa entrar, e cobra 20% do faturamento bruto. Ah, inicialmente, a joia hoje tá em torno de 100, 150 mil, tá? Depois a gente cobra 20% do faturamento bruto e a maquininha é nossa, maquininha de trabalho lá", afirma Dedé em áudio obtido pelo SBT News.
“Há indícios da prática, em tese, de corrupção privada no esporte, crime previsto no artigo 165, da Lei Federal no 14.597/23 – Lei Geral do Esporte, dado o propósito de prejudicar economicamente, dentro da sua própria sede social, a agremiação esportiva São Paulo Futebol Clube, com participação direta e determinante de um de seus diretores”, afirmaram os promotores de Justiça Tomás Busnardo Ramadan e José Reinaldo Guimarães Carneiro, em documento enviado à Polícia Civil, que o SBT News teve acesso. “Não se descarta, ainda, a existência de outros crimes patrimoniais previstos no Código Penal”, completaram.

O SBT News entrou em contato com Antonio Donizete Gonçalves e com o SPFC, mas ambos não responderam. O espaço segue aberto.

A investigação se dá em meio a uma crise no clube, que envolve a venda ilegal de camarotes do Morumbi e movimentações suspeitas de dinheiro vivo ligadas ao ex-presidente Julio Casares, que renunciou ao cargo no mês passado.

Segundo o inquérito, Casares movimentou cerca de R$ 3,2 milhões entre janeiro de 2023 e maio de 2025, uma média mensal de R$ 110 mil.

Do total, 47% correspondem a depósitos em dinheiro vivo nas contas de Casares, sem identificação da origem, totalizando aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Outro lado

Em nota enviada ao SBT, Antônio Donizete Gonçalves (Dedé) refuta as acusações e explica ponto a ponto o áudio divulgado:

Venho, por meio desta, prestar esclarecimentos formais e definitivos acerca das interpretações equivocadas recentemente divulgadas a respeito de um áudio no qual explico, de forma absolutamente institucional, o funcionamento das concessões comerciais dentro da sede social do São Paulo Futebol Clube.

Sobre o conteúdo do áudio e a expressão “nossas maquininhas”, o ex-diretor alega que a fala foi "completamente institucional, proferida na condição de Diretor do Departamento Social do SPFC, e jamais como pessoa física.

"Quando utilizo a expressão 'nossas maquininhas', estou me referindo exclusivamente ao sistema oficial de cobrança e recebimentos do São Paulo Futebol Clube", responsável por controle total do faturamento dos cessionários, transparência, auditoria dos valores, segurança financeira; prevenção de desvios ou manipulação de valores.

Dedé argumenta que 'nossas maquininhas' seriam as maquininhas do SPFC, ou seja, do sistema de cobrança do clube

"Nunca houve “maquininha particular”, “maquininha privada” ou uso de equipamento pessoal. Qualquer interpretação diferente dessa é simplesmente incompatível com a realidade administrativa do clube", afirma em nota.

Leia na íntegra:

Prezados Senhores do SBT,

Venho, por meio desta, prestar esclarecimentos formais e definitivos acerca das interpretações equivocadas recentemente divulgadas a respeito de um áudio no qual explico, de forma absolutamente institucional, o funcionamento das concessões comerciais dentro da sede social do São Paulo Futebol Clube.

1. Sobre o conteúdo do áudio e a expressão “nossas maquininhas”

2. No áudio mencionado, minha fala foi completamente institucional, proferida na condição de Diretor do Departamento Social do SPFC, e jamais como pessoa física. Quando utilizo a expressão “nossas maquininhas”, estou me referindo exclusivamente ao sistema oficial de cobrança e recebimentos do São Paulo Futebol Clube, responsável por:

Controle total do faturamento dos cessionários;

Transparência;

Auditoria dos valores;

Segurança financeira;

Prevenção de desvios ou manipulação de valores.

Portanto, deixo claro e reafirmo:

✔️ “Nossas maquininhas” = maquininhas do SPFC = sistema de cobrança do SPFC. Nunca houve “maquininha particular”, “maquininha privada” ou uso de equipamento pessoal. Qualquer interpretação diferente dessa é simplesmente incompatível com a realidade administrativa do clube.

2. Sobre a explicação do modelo comercial

No áudio, descrevi ao interlocutor o modelo institucional para abertura de pontos comerciais dentro do clube, o qual existe desde início da nossa gestão. Pagamento de luva/joia entre R$ 100 mil e R$ 150 mil negociáveis (o valor que conseguimos negociar sempre o que for melhor para o SPFC);

Percentual entre 10% e 20%sobre o faturamento bruto, negociáveis ( % que conseguirmos passar sempre a melhor taxa para o nosso clube) pagos integralmente ao clube.

Trata-se de prática comum em clubes sociais e está de acordo com a necessidade de maximizar a receita institucional — sem qualquer participação pessoal.

3. Sobre os resultados da gestão

Os números são públicos, constam no Portal da Transparência do SPFC, e precisam ser corretamente compreendidos:

📌 Quando assumi: Resultado financeiro: – R$ 19 milhões negativos

Arrecadação anual: aproximadamente R$ 27/33 milhões

Associados: cerca de 12/13 mil

Frequência de uso: 4% a 7%

📌 Resultado acumulado da nossa gestão: Superávit de + R$ 12 milhões acumulados durante a gestão, revertendo totalmente o quadro negativo encontrado.

Arrecadação anual ampliada para cerca de R$ 75 milhões Anuais

Quase 19 mil associados

Frequência superior a 87%

Esses números desmentem qualquer narrativa de prejuízo ou irregularidade.

4. Minha vida dedicada ao SPFC

5. Sou sócio do clube desde os 8 anos de idade, hoje com 70 anos.

Exerci diversos cargos, todos voluntários, e participei de conquistas históricas:

Na época, com o cargo de diretor adjunto de futebol, fomos:

Campeão Paulista (Émerson Leão)

Tricampeão Brasileiro (Muricy Ramalho)

Tricampeão da Libertadores (Paulo Autuori)

Tricampeão Mundial (Paulo Autuori)

Minha trajetória sempre foi pautada por honestidade,trabalho voluntário e amor pelo clube.

6. Sobre a investigação

Estou colaborando integralmente.

Entregarei:

Minhas declarações de Imposto de Renda desde 2020; até 2025

Meus extratos bancários;

Todos os contratos e documentos relacionados aos cessionários.

Quebrarei meu sigilo, bancários espontaneamente

Confio plenamente no Ministério Público e na Justiça, que mostrarão a verdade.

✔️ Conclusão — O ponto central que precisa ser reforçado:

“Nossas maquininhas” é uma referência exclusivamente ao sistema de cobrança do SPFC, que garante transparência e controle do faturamento.

Jamais houve qualquer menção a máquina pessoal ou vantagem privada. Minha fala foi institucional, dentro das atribuições da diretoria, e sempre em benefício do clube. Coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.

Atenciosamente, Antônio Donizete Gonçalves (“Dedé”), Ex-Diretor do Departamento Social São Paulo Futebol Clube."

*colaborou Vicklin Moraes

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