“Supremo não pode ser um Poder acima dos demais”, diz Aldo Rebelo
Em entrevista ao SBT News, ex-ministro afirma que disputa presidencial busca romper polarização e aponta “desequilíbrio institucional” entre os Poderes

Vicklin Moraes
O ex-ministro Aldo Rebelo afirmou, em entrevista ao SBT News, que sua pré-candidatura à Presidência da República tem como objetivo unir o país e romper com o atual ciclo de polarização política. Segundo ele, tanto eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro enxergaram aspectos positivos em seus candidatos nas últimas eleições.
“Se 50% mais um votaram no presidente Lula, é porque viram algo positivo, como a preocupação social e o salário mínimo. Do outro lado, quem votou no presidente Bolsonaro também não votou pelos problemas da gestão, mas por enxergar valores como o nacionalismo”, afirmou.
Rebelo destacou que ainda tem baixo nível de conhecimento junto ao eleitorado, o que atribui ao afastamento da vida pública nos últimos anos. “Não ocupo cargo público, não sou governador, prefeito, deputado ou senador. Sou um jornalista afastado da vida pública, e esse ciclo precisa ser rompido com a divulgação da candidatura e das ideias”, disse.
Questionado sobre o financiamento eleitoral, Rebelo afirmou que a ausência de recursos do fundo eleitoral em seu partido - Democracia Cristã - é, ao mesmo tempo, uma desvantagem e um ponto positivo. Segundo ele, a sigla não está submetida a interesses econômicos, financeiros ou de lobby, o que garantiria independência programática em áreas como economia, ciência, tecnologia, educação, segurança pública e defesa.
Durante a entrevista e no lançamento da pré-candidatura, realizado no último sábado (31), Rebelo fez críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele ressaltou manter relações pessoais respeitosas com ministros da Corte, como Flávio Dino, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, mas afirmou que suas críticas são institucionais.
“O Supremo é o cume do Poder Judiciário. Ele não pode legislar, revogar decisões do Congresso em matéria tributária, impor prazos ao Executivo ou impedir nomeações. Isso gera algo pior do que a insegurança jurídica: gera insegurança institucional”, afirmou.
O evento de lançamento contou com a presença do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e foi marcado por discursos que apontaram um suposto desequilíbrio entre os Poderes da República.









