Presidente do IBGE participa de reunião no Planalto em meio à crise na entidade
Encontro ocorreu na semana seguinte à reunião com servidores do instituto; sindicato fala em caça às bruxas e pede mudanças na escolha da presidência


Hariane Bittencourt
O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann, foi chamado para uma reunião no Palácio do Planalto. O encontro ocorreu na segunda-feira (2), na Casa Civil, em meio à nova etapa da crise entre servidores e a direção da entidade.
O ministro Rui Costa, que estava no Congresso Nacional para a abertura do Ano Legislativo no mesmo horário, não participou.
No comando da entidade desde 2023, Pochmann tem sido alvo de críticas do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE), que cita a existência do que seria uma "caça às bruxas", tendo como alvo quem discorda da atual gestão.
A alegação é de uma postura autoritária, pouco técnica e de uma série de carências operacionais que poderiam prejudicar a atuação do instituto a um mês da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, marcada para 3 de março.
Na última quinta-feira (29), um grupo de servidores já tinha sido recebido no Palácio do Planalto para uma reunião na Secretaria-Geral da Presidência da República, comandada por Guilherme Boulos. O assunto foi a crise no órgão.
A reunião ocorreu um dia depois da exoneração de Ana Raquel Gomes da Silva, que atuava no IBGE há 40 anos. Ela deixou cargo de gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais após denunciar o suposto uso de materiais oficiais da entidade para fins políticos.
A principal queixa dizia respeito à publicação "Brasil em Números 2024", que estampou, no prefácio, um artigo da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD).
Servidores do órgão defenderam que o periódico fazia propaganda política da gestão de Raquel, sendo inadequado para um periódico oficial do governo federal.
"Trata-se de mais uma medida retaliatória. Esse caso se soma a diversas outras exonerações e remoções arbitrárias promovidas pela gestão de Márcio Pochmann, que vem conduzindo uma caça às bruxas contra servidores que se posicionam na defesa técnica, institucional e histórica do IBGE", diz o manifesto sobre a exoneração compartilhado pelo sindicato.
Cerca de 10 dias antes, a crise interna já havia ganhado novo capítulo com a exoneração de Rebeca Palis.
Servidora de carreira há mais de 20 anos e coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, ela era a principal responsável técnica pelo cálculo do PIB. Rebeca foi uma das signatárias de uma carta crítica à atual gestão.
"Já foram pelo menos 15 exonerações desde que ele [Pochmann] tomou posse. É uma gestão que além de trazer projetos polêmicos tem muitos problemas técnicos", afirmou ao SBT News Clician do Couto Oliveira, dirigente do ASSIBGE.
Projeto de lei para mudar escolha do presidente
Uma das apostas do ASSIBGE para sanar os problemas internos é um projeto de lei apresentado pela oposição.
O texto de autoria da deputada Rosana Vale (PL-SP) ainda precisa passar por comissões antes de seguir para o plenário e propõe mudanças na escolha da presidência e do corpo diretivo do IBGE.
"A eleição para presidente do IBGE é uma bandeira histórica. A ideia é manter o mandato para presidente e incluir a eleição de uma lista tríplice a ser encaminhada ao presidente [da República]. Esse candidato passaria também por uma sabatina no Congresso", explicou Clician.
O modelo já é seguido em universidades federais e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Atualmente, a escolha da cúpula do IBGE é prerrogativa exclusiva do governo federal, sem a necessidade de sabatina pelo Legislativo.
O SBT News entrou em contato com a assessoria do IBGE mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. A assessoria da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, também foi procurada. O espaço segue aberto.









