Quase 50% da movimentação nas contas de Julio Casares veio de depósitos em dinheiro vivo, aponta investigação
Ex-presidente do São Paulo Futebol Clube movimentou cerca de R$ 3,2 milhões entre janeiro de 2023 e maio de 2025


Robinson Cerantula
Marcos Guedes
A investigação da Polícia Civil sobre os escândalos envolvendo o São Paulo Futebol Clube identificou “cenários suspeitos” ao analisar as contas pessoais de Julio Casares, que renunciou à presidência do clube nesta quarta-feira (21).
De acordo com o inquérito, Casares movimentou cerca de R$ 3,2 milhões entre janeiro de 2023 e maio de 2025, o que representa uma média mensal de R$ 110 mil. Para os investigadores, os pontos mais graves estão na desproporção e na origem dos recursos.
Do total movimentado, 47% veio de depósitos em dinheiro vivo nas contas de Casares, sem identificação da origem. Os depósitos em espécie somam cerca de R$ 1,5 milhão.
“A evolução da técnica de depósito evidencia uma tentativa clara de burlar os mecanismos de controle”, afirma um trecho do inquérito.
A análise também relaciona as suspeitas a Mara Casares, ex-esposa de Julio. No mesmo período, foram identificados 104 boletos bancários emitidos no nome dela e quitados pela conta de Casares, totalizando mais de R$ 137 mil.
Segundo a investigação, em uma tentativa de driblar os mecanismos de controle, o casal teria utilizado contas de Deborah de Melo Casares, filha de ambos. Os depósitos eram feitos sempre abaixo de R$ 50 mil, tanto nas contas pessoais quanto nas contas da empresa de Deborah, valores calculados para ficar pouco abaixo do limite de notificação automática do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Ao todo, mais de R$ 157 mil em dinheiro vivo foram depositados nas contas de Deborah durante o período analisado.
Venda ilegal de camarotes
A Polícia Civil realizou uma operação, na manhã desta quarta-feira (21), contra a venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbis, pertencente ao São Paulo Futebol Clube. No total, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na capital paulista contra três pessoas.
Entre os alvos estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do São Paulo, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente afastado do clube, Julio Casares.
Em dezembro de 2025, o portal ge.com divulgou áudios que indicam um esquema de comercialização clandestina de camarotes no estádio do Morumbis durante eventos, incluindo o show da cantora Shakira.
No áudio, Douglas Schwartzmann e Mara Casares teriam admitido favorecimentos e lucros pessoais com a venda irregular dos espaços VIP do clube. Os dois pediram licença de seus cargos após a divulgação do conteúdo.
O Ministério Público de São Paulo requisitou a abertura de inquérito para investigar o caso. Internamente, o São Paulo abriu duas sindicâncias: uma interna e outra externa, com auditoria independente.
O SBT News procurou o São Paulo e aguarda um posicionamento. Em nota nas redes sociais, Casares afirma ser vítima de ataques e narrativas distorcidas, e que atuou "com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e comromisso com a defesa da instituição"
*colaborou Paulo Sabbadin








